Time da Cooperifa, em Suzano

FAVELA NOS PÉS - Sérgio Vaz
“Era um atacante medíocre, vivia na zaga se defendendo das críticas” S.V.
Esta semana Zinedine Zidane, poeta-jogador de futebol francês, esteve em São Paulo para inaugurar uma quadra de esportes em uma das maiores favelas do país, Heliópolis.
A Favela de Heliópolis me lembra o morro da Rocinha-RJ- onde já estive algumas vezes e onde tenho vários amigos-, não só pelo tamanho, mas pela sua gente, pelas curvas das vielas e pelo riso sofrido que tem o povo trabalhador.
A Rocinha se impõe num dos bairros mais chiques do Rio de Janeiro, São Conrado, zona sul carioca, por isso é muito comum ver artistas subindo e descendo as ladeiras que surgem da Via Ápia ou pela entrada dos Boiadeiros. Você quem sabe.
Já Heliópolis fica no bairro do Ipiranga, e sabe como é que se chega lá? Vai vendo leitor, pela Estrada das Lágrimas.
Já estive em Heliópolis algumas vezes fazendo trabalho na extinta rádio comunitária, que antigamente era comandada pelo rapper Rapin Hood, que hoje está na 105 FM (programa Rap du bom), mas também já estive a passeio, num churrasco na casa do poeta Robson Canto, e todas às vezes que fui pude desfrutar da hospitalidade, que é comum no povo humilde das favelas.
Quando estive nesses dois bairros, divulgando a minha poesia, a periferia ainda nem sonhava que um dia estaria na moda, e muitos dos que estão hoje por aí, se apropriando da história alheia, nem sequer existiam, culturalmente falando.
Neste país, injusto e desigual, se já não bastasse a miséria física ainda temos que conviver com algumas pessoas ricas em pobreza espiritual.
Mas vamos voltar ao Zidane, que apesar de não parecer tem tudo a ver com que eu estou falando:Honra e Humildade.
Sempre fui fã do francês. Do seu futebol poético, da sua postura pessoal e política. Um jogador como poucos.
Aliás,só mesmo jogador-poeta como ele, numa semifinal de copa do mundo, onde bilhões de pessoas estavam ligadas no jogo, e bilhões de dólares estavam em jogo, tem a hombridade de defender a honra de sua família com uma cabeçada num deselegante e desprezível zagueiro da seleção italiana, que ofendeu sua irmã. Isso se chama Honra meu irmão.
Aí, meu ídolo, vem ao Brasil, e aonde ele vai? Na favela! Humildade 1 x 0 vaidade .
Caramba, queria que ele fosse na Cooperifa recitar um de seus poemas com a bola nos pés. Desculpe o trocadilho: Gol de letra!
Adoro futebol, sou mais um alienado brasileiro amante da arte que nasce das ruas, mas que infelizmente é decidido em gabinetes. Mas, os ruins não me impedem de admirar os bons.
Zidane parece ter nascido na Rocinha, ou em Heliópolis, não só pelo futebol que poético que ele jogou, mas pela postura humilde e correta que todo favelado sabe ter.
De mais a mais, o que eu mais vejo por aí, é perna-de-pau pagando de Pelé. Vaia neles!

2 comentários:
Qualé, Sérgio,
louco este, assunto, né?
Nossa loucura é sadia!
Nelson Maca
E Suplicy, o Eduardo, foi lá defender um gol. A bola entrou, é claro. E foi bater na Folha de São Paulo de domingo.
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