Friday, May 30, 2008
LITERATURA, PÃO E POESIA (EM BREVE)
Vestida de noiva (baseado em fatos reais) - Sérgio Vaz
O casamento estava marcado para as 18 horas, mas como toda noiva que se preze, Tereza também chegou atrasada, coisa de meia hora. Não foi fácil conseguir esta igreja, então não era bom abusar da paciência do padre. Do lado de dentro um calor lascado. Os convidados e os padrinhos suavam em bicas.
A pequena catedral estava lotada -a noiva era muito querida no escritório onde trabalhava, até o gerente estava lá.
Quando a noiva surgiu na porta foi um alívio para todos. Muitos só pensavam na festa e no chope gelado. “Que calor!”, disse um coroinha.
De braços dados com o tio, já nos primeiros três passos que avançava para o seu casamento começou a chorar. Chorava de emoção, mas também porque seu pai não podia estar ali, de braços dados conduzindo-a ao altar como sempre sonhou.
Chorava porque naquele exato momento seu herói estava internado numa cama de hospital e não podia ver sua princesa casando-se com um príncipe, como ele sempre lutara para que isso acontecesse.
Cada passo uma lembrança. Cada passo uma lágrima. A noiva chorava copiosamente. Muitos dos convidados também choravam enquanto ela caminhava para o altar.
Feliz pela metade, ela só conseguia pensar: “queria que meu pai estivesse aqui”, e chorava.
Do outro lado da cidade, na cama do hospital, seu Durval, entre uma dor e outra, caminhava com ela em pensamento. E também pensava: “como eu queria estar lá”, e chorava também. Na vizinhança não se conhece tamanho amor entre pai e filha como o dos dois.
O casamento só aconteceu porque já estava marcado há muito tempo e por insistência do pai, pois por ela, que se danasse tudo.
O sonho do pai sempre foi vê-la de noiva e o dela era ser conduzida pelo pai. A Mãe era testemunha desse sonho, por isso chorava com eles.
Quando chegou em São Paulo, aos 23 anos, fugindo da seca e do desemprego na sua cidade, seu Durval era apenas mais um, perdido na cidade grande. Uma mala na mão e na outra, nada. Foi assim que pisou na selva de pedra.
Já na rodoviária conseguiu um emprego numa obra na Avenida faria Lima. Sem dinheiro para pensão, morou por seis meses no trabalho, junto com outros conterrâneos. Enquanto construía o prédio sonhava que construía sua própria casa. Por conta disso, do amor com que trabalhava pensando que construía sua própria casa, logo conseguiu uma promoção, de ajudante passou a ser pedreiro.
Um pouquinho mais no bolso alugou uma casa na periferia da Zona Sul. Coisa pequena. Quarto e sala e um banheiro com chuveiro de água quente.
Seguiu assim, construindo casas como se construísse a sua.
Conheceu Esperança num baile perto de casa e com pouco tempo já estavam morando juntos. Amasiados. Mais Esperança sempre quis casar. Mas como não tinham dinheiro adiaram para sempre este desejo. Quem sabe um dia...
Esperança sempre foi mulher de fibra, quando construíram a própria casa depois de muitos anos, foi ela quem carregou os blocos de cimento para dentro do quintal. Ela quem trazia água para a massa do cimento. Ela é quem era a ajudante geral. Ela ajudou a construir a casa em que moram com o mesmo amor em que deu a luz a suas três filhas. Por isso, chorava no casamento. Chorava por amor e pela ausência do marido. Em meio à saudade teve tempo de lembrar que filha realizava o sonho dela: “casar vestida de noiva”. E chorava como mulher, Chorava feito mãe.
Já no altar, fitou a mãe, e ambas trocaram lágrimas e sorriso molhados.
Faltava o pai, mas o dia era de felicidade. Elas sabiam disso. Então riam e choravam ao mesmo tempo.
O marido, enquanto lhe aliançava ganhou de presente um dos sorrisos mais lindos que o mundo já produziu, e de quebra, um sim que valia por três. Mais ainda assim lhe faltava o pai.
Depois do banho de arroz todos entraram em seus carros e foram direto para a festa. Quase todos. Tereza e o marido pediram para que o motorista desviasse um pouco do caminho e foram, ele de terno e ela vestida de noiva, direto para o hospital pedir a benção do pai.
Ao vê-la no quarto do hospital Durval custou acreditar que estava vivo.
Choravam o pai, a filha, as enfermeiras, o marido, os médicos, os curiosos, os outros doentes, o hospital virou um vale de lágrimas. De alegria.
A vida doía, mas ainda assim valia a pena, pensou o pai com um tubo enfiado no nariz e um buraco aberto no peito.
*de sonho realizado seu Durval morreu uma semana depois.
LITERATURA PERIFÉRICA
A vida que pesa uma tonelada
perde um beija-flor na hora da morte.
Não importa a distãncia do vôo,
21 gramas a menos
o corpo se despede da alma.
Há quem diga
Que é muito pouco
E que o espírito pesa mais.
Que sei eu sobre isso? Nada.
Sou passarinho longe da gaiola
Que não sabe contar os dias.
Poeta pequenininho
Que junta letras com asas
Num caldeirão vazio de papel.
Fora isso,
Sei que o poema
Tem o peso da eternidade,
mas nunca envelhece.
E se morre,
No coração de quem Lê
Sua alma,
Tem 21 gramas a mais.
Sérgio Vaz
*do livro Colecionador de pedras
SÁBADO TEM SARAU DA COOPERIFA NO SINDICATO DOS PROFESSORES
HOJE TEM PANELAFRO
Povo lindo, povo inteligente,
a correria não pára, e na sexta-feira não podia ser diferente, hoje tem Panelafro, um dos maiores eventos culturais da Zona Sul de São Paulo, e para registar isso, eu e o Buzo vamos fazer a gravação do "Buzão - Circular periférico" do programa "Manos e minas" da TV Cultura, apresentado pelo Rapin Hood.
Então já é, daqui a pouco a gente se encontra. Axé.
Abs.
Sérgio Vaz
SARAU RAP - POESIA DAS RUAS
SARAU RAPThursday, May 29, 2008
SE LIGA AÍ MALANDRAGEM...
Taí, tudo de bandeja, um documentário sobre o malandro Bezerra da Silva, rei do partido alto, porta-voz das favelas e vagabundo nato. Indique para seus amigos, mas não "caguéta" que foi eu que traficou no blog a informação.
Tô saindo fora, antes que pinte sujeira. Abaixo o nome dos malaco que fizeram a fita.
Direção: Márcia Derraik e Simplício Neto
PARTE 1
PARTE 2
Literatura, pão e poesia
O Pequeno Príncipe - Sérgio VazNa semana passada fui participar de um sarau com os alunos da escola Paulo Afonso em Capuava, que fica em Embu das Artes, na divisa com Cotia. Além de mim também foram convidados o Gaspar (Záfrica Brasil), Zinho Trindade e o Baltazar (Preto Soul).
O Alunos da 5ª e 6ª série também prepararam uma apresentação para o dia, sob a supervisão de alguns professores, inclusive do Wagner, meu amigo.
A Manhã de poesia já estava servida como merenda no pátio da escola e, para minha surpresa, a molecada repetia várias vezes. Até aí, além do presente da vida, nada demais. Um poema solo aqui, um poema em grupo ali, uma música à capela, e o frescor da infância se esfregando nos meus olhos.
Em um determinado momento a professora chama um garoto, para se apresentar. Tímido, como poucos, recitava sua poesia com bastante nervosismo, o suficiente para que alguns dos alunos começassem a rir da sua declamação. Sei que não riam por maldade, crianças apenas riem.
De Súbito senti minha alma desprender do corpo, numa rápida viagem astral para o passado. Vi-me ali no seu lugar, com 12 anos, sendo punido pela timidez por apenas estar vivo na hora errada. “A Timidez é uma lei muito severa a ser cumprida...”.
De volta ao futuro, ainda consegui vê-lo em sua batalha contra o mundo. Como eu já disse, enquanto alguns riam ele recitava, como quem expulsava o silêncio do corpo. Parecia que lhe faltava o ar, as palavras lhe traiam, as vírgulas abriram fuga, os olhos caminhavam devagar demais para tanta pressa de sair de cena. As mãos tremiam por todo o corpo.
Nós poetas torcíamos por ele, os educadores gritavam pelos olhos por ele.
De repente o vento parou de soprar para que o barulho não o atrapalhasse.
Os Pássaros debruçados nas árvores o acompanhavam em si bemol.
Uma nuvem calou a camada de ozônio para que ele pudesse respirar melhor.
Assim como um milagre, que só as crianças sabem o segredo, pude vê-lo refletido nos olhos úmidos das pessoas, e o riso, como se recebesse uma ordem do universo, partiu para uma outra dimensão.
O mundo inteiro parou para ouvir o mais lindo poema da vida, a coragem.
Ao terminar, ele riu, agradeceu aos aplausos e saiu como um nobre cavaleiro que acaba de derrotar um dragão, e sem nenhuma gota de sangue pelo corpo.
Eu ali como um fraco, voltando ao passado, tendo pena dele, e ele ali, como um príncipe guerreiro enfrentando o futuro, e de canja, deixando a lição pra gente fazer em casa: “Só os fortes sobrevivem”.
Quando eu crescer quero ser como ele, gente.
UM ROLÊ NA QUEBRADA DO SARAU DA COOPERIFA, QUE NOITE!
a caravana da poesia não pára. Ontem fizemos a gevação do "Buzão - circular periférico" no Sarau da Cooperifa, mas antes, levei o Buzo e o Jairo para conhecer um pouco sobre o bairro onde eu fui criado: as ruas, as pessoas e o antigo boteco do Zé batidão, onde eu lancei o meu primeiro livro há vinte anos. Fazia tempo que eu não dava esse rolê, fiquei muito feliz por isso. Estava precisando.
A Noite, Sarau da Cooperifa, já nem sei mais o que falar, mas... O BAGULHO ESTAVA ESTRUMBADO!!!!!!!! QUE NOITE !!!!!!!!!!!!!!!
É isso.
*deixa eu correr que hoje tem Sarau Rap. Vai colar?
Abs.
Sérgio Vaz
Wednesday, May 28, 2008
CONFORME PESQUISA, MULHERES LÊEM MAIS QUE OS HOMENS
conforme o pesquisa do data-folha as mulheres lêem mais do que os homens, e os brasileiros mais lidos são Monteiro Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis. Bom, quem sou eu para contestar, mas... conforme pesquisa aberta divulgada pelo data-vaz, o Livro "Colecionador de pedras", Global Editora é o mais lido na quebrada.
A pesquisa foi feita com dez mulheres, de várias idades e classes sociais. O Instituto data-vaz divulgou a pesquisa para provar a sua credibilidade:
Nome e livro:
Sônia H. S. Gramacho (esposa) - Colecionador de pedras
Laide Rosendo Vaz (mãe adotiva) - Colecionador de pedras
Mariana G. Vaz ( ex-filha) - 85 letras e um disparo -Sacolinha
Silvana Vaz (irmã) - Colecionador de pedras
Patrícia Vieira (irmã) - Colecionador de pedras
Juliana Vaz (irmã) - Colecionador depedras
Filadélfia Gramacho (cunhada) - Colecionador de pedras
Rose Dória (musa da Cooperifa) - Colecionador de pedras
Laysla Ribeiro (sobrinha) - Colecionador de pedras
Marilda (esposa do Buzo) - Guerreira - Buzo *acho que esse voto foi tendencioso e não devia valer.
*A pesquisa foi registrada no nº 171/171 no Cartório do Zé batidão.
Colecionador de pedras, Global Editora, Nas livrarias*da Folha de S.Paulo, em Brasília
As mulheres lêem mais que os homens, diz a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que será divulgada hoje, em Brasília.
O estudo, elaborado pelo Instituto Pró-Livro, mostra que população está acostumada a dedicar muito pouco --ou quase nenhum-- tempo aos livros. Do total dos leitores, 55% são do sexo feminino, público maior em quase todos os gêneros da literatura -os homens lêem mais apenas sobre história, política e ciências sociais.
Segundo a pesquisa, a Bíblia é o livro mais lido pela população brasileira --43 milhões de pessoas já a leram, dos quais 45% afirmaram fazê-lo com freqüência.
O segundo colocado é o livro "O Sítio do Picapau Amarelo", de Monteiro Lobato, apontado como o escritor mais lido no Brasil. A lista dos escritores brasileiros mais lidos inclui ainda, pela ordem, além de Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis.
QUINTA-FEIRA TEM SARAU RAP

É um espaço para o exercício da criação poética.
Sem música, MCs declamarão suas letras, compartilhando talento literário.
Rap é ritmo e poesia (rythman and poetry).
Entrada: Gratuita
Capacidade de lotação: 200 pessoas
DEBATE NA FNAC
Povo lindo, povo inteligente,Tuesday, May 27, 2008
PROJETO SAMBA DA HORA NO MANOS E MINAS
Sunday, May 25, 2008
SE LIGA NA PROGRAMAÇÃO DA SEMANA
Povo lindo, povo inteligente,
E aí, vai chegar?
A gente se vê por aí,
Sérgio Vaz
Vagabundo nato
Saturday, May 24, 2008
HIP HOP ARTE NA COMUNIDADE DE HELIÓPOLIS
Thursday, May 22, 2008
O Sarau da Cooperifa e a lua como testemunha
Wednesday, May 21, 2008
BRASINHAS DO ESPAÇO
Povo lindo, povo inteligente,já está no cinema o filme do desenho mais louco que eu já vi na minha vida: Speed Racer.
Estou até com medo de assistir para não me decepcionar, mas o Augusto assistiu e disse que o bagulho é da hora. Eu tenho todos os episódios do desenho em DVD (não empresto nem para o Augusto que é fã também. Quer uma dica? Tem lá na Comics 24 de maio).
Esse desenho é a cara da minha geração, Márcio, João Hulck, Guina, Adilson (finado), Wilsinho (finado), Ney, Sorrisal, Mi, e uma pá de moleque que se bobear já é até avô. Um tempo que a vida não tinha mistério nenhum, era só correr pela rua e deixar que o sol fazia o resto.
Não assisti ainda porque a Sônia quer assistir também, aí fica me puxando o freio de mão. Ela disse também que era fã, mas quando eu pergunto se ela lembra do episódio do Mamute ela fala: "que mamute?". Derrapou.
Essa época a gente era meio o livro "Capitães de areia" de Jorge Amado, de tanta liberdade que a gente tinha, de tanto lirismo. Quem já leu esse livro? Quem já assistiu Speed Racer?
Tempo que a gente vivia se esfregando nas ladeiras do Jardim Guarujá sentado em carrinho de rolimã disputando corrida, e sentindo a brisa da infância acariciando nossas faces, como beijo de mãe, como abraço de pai.
Teve um tempo em que a vida não doía tanto, pelo menos pra mim. Por um tempo, a dor, por generosidade, fingiu que não me conhecia.
Se curtir, assista o filme,e leia a poesia que eu fiz em homenagem àquela época que está no meu livro "Colecionador de pedras", Global editora, e depois a gente se tromba na Cooperifa para falar sobre isso: Poesia, desenho, Jorge Amado, Infância e o que mais chegar. É isso. O que não pode faltar entre a gente é assunto. Chega de conversa.
Na pista,
Sérgio Vaz

Brasinhas do espaço
Eram criaturas
De um planeta imaginário.
Herméticos neste mundo
Todos se chamavam Speed Racer,
E falavam uma língua estranha
Que os adultos não entendiam.
Vorazes,
Alimentavam-se de sonhos,
Liberdade, vento,
De K-suco e pão com mortadela.
Esses monstrinhos
Queriam dominar a terra.
Chegavam aos montes
Descendo ladeiras,
Pilotando naves exóticas
Feitas de tábua de compensado
E rodinhas de rolimã.
Não fosse o tempo
Teriam dominado o universo.
Sérgio Vaz
2º JORNALIRISMO DEBATE "Como se forma a opinião pública no Brasil"

Tuesday, May 20, 2008
NEGRO DRAMA WILSON SIMONAL
Povo lindo, povo inteligente,
talvez muitos dos meus visitantes-jovens-adultos de blog, não conheçam ou nunca ouviram falar do cantor e compositor Wilson Simonal, recentemente a rainha do axé-music-mídia-mercado-megalomaníaca e uma das herdeiras de ACM, painho da máfia do dendê e caudilho mor da nação, Ivete Sangalo, gravou uma música dele, "Sá Marina", lembram?
Era um dos maiores nomes da MPB dos anos sessenta, e se não me engano, o primeiro negro apresentador do Brasil. Ele comandava o programa "Essa noite se improvisa".
Mas todo esse sucesso teve seu preço, ninguém aceitaria um negro com toda aquela banca, pagando de gatão e andando de carro importado impunemente.
Pois um dia saiu em um jornal, "O Pasquim", que ele era dedo-duro da ditadura e que ele entregava todo mundo para o DOPS (polícia da ditadura na época), a partir desse momento foi julgado traidor do movimento musical, então foi esculachado, açoitado e queimado em praça pública por todas as pessoas que o cercavam no meio artístico.
Li outro dia em algum lugar que ele tinha pedido a alguns policias dar um surra no seu contador que estava surrupiando-lhe a grana, aí um deles disse que Simonal era informante da polícia, aí...
Vale pesquisar mais sobre sua história conhecer a sua música, só fiz uma pequena homenagem a ele, e a minha mãe falecida, que tanto o adorava, só isso.
E foi assim que acabaram com carreira promissora de um dos negros mais influentes do país, que pagou com a própria pele, por ter a pele que tinha.
Morreu no ano 2000, e em uma decisão anunciada em 2003 (e de caráter completamente simbólico) a Ordem dos Advogados do Brasil absolveu o cantor Wilson Simonal (1939-2000) da acusação de delação.
A Comissão de Direitos Humanos da OAB examinou documentos (do SNI e da Polícia Federal, registrados na época do regime militar), depoimentos de pessoas que conviveram com Simonal e material jornalístico do começo dos anos 70 para afirmar que não procede a pecha de dedo-duro que foi colada ao cantor. Antes tarde do que nunca.
Wilson Simonal foi um primeiros negro-drama da música, ou um dos mais conhecidos,e como outro negro drama já disse: daria um filme!
O Passado me persegue. A História também.
Simbora,
Sérgio Vaz
E AÍ LEMINSKI?

Tu sabes,
Nos dias que correma ninguém é dado
Olho ao redor
Vamos ao campo
E por temor eu me calo,
Monday, May 19, 2008
VOCÊ ESTÁ RINDO DO QUE????
10% mais ricos no Brasil detêm 75% da riqueza, diz Ipea
Os 10% mais ricos do país concentram 75,4% da riqueza. É o que aponta o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em um detalhado levantamento sobre as desigualdades no Brasil.
Os dados, obtidos pela Folha Online, serão apresentados pelo presidente do Ipea, Márcio Pochmann, nesta quinta-feira ao CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social). O objetivo, segundo ele, é oferecer elementos para a discussão da reforma tributária, cuja proposta já foi apresentada.
A pesquisa também mostra como é essa concentração em três capitais brasileiras. Em São Paulo, a concentração na mão dos 10% mais ricos é de 73,4%, em Salvador é de 67% e, no Rio, de 62,9%.
Para Pochmann, a injustiça do sistema tributário é uma das responsáveis pelas diferenças. "O dado mostra que o Brasil, a despeito das mudanças políticas, continua sem alterações nas desigualdades estruturais. O rico continua pagando pouco imposto", afirmou.
Apenas para efeito de comparação, ao final do século 18, os 10% mais ricos concentravam 68% da riqueza no Rio de Janeiro --único dado disponível.
"Mesmo com as mudanças no regime político e no padrão de desenvolvimento, a riqueza permanece pessimamente distribuída entre os brasileiros. É um absurdo uma concentração assim", afirma.
A pesquisa do Ipea também mostra o peso da carga tributária entre ricos e pobres, que chegam a pagar até 44,5% mais impostos. Para reduzir as desigualdades, o economista defende que os ricos tenham uma tributação exclusiva.
Pochmann afirmou que um dos caminhos é discutir uma reforma tributária que melhore a cobrança de impostos de acordo com a classe social. "Nenhum país conseguiu acabar com as desigualdades sociais sem uma reforma tributária", afirmou.
A pesquisa do Ipea também mostra um dado inédito. A carga tributária do país, excluindo as transferências de renda e pagamento de juros, cai a 12%, considerada por Pochmann insuficiente para que o Estado cumpra as suas funções.
(KAREN CAMACHO, Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online)
GOG NA COOPERIFA
Povo lindo, povo inteligente,
para quem não sabe a história do GOG com a Cooperifa teve início lá na fábrica em Taboão da Serra, quando e onde tudo começou. Esta também é uma história que estará no livro "Cooperifa, quilombo da poesia" que acabei de escrever para a Aeroplano e deve ter o lançamento previsto para julho.
Além de ser um dos melhores do Rap Nacional GOG também é um dos melhores poeta do país, não só pela rima engajada, mas também pela beleza de suas palavras que ecoam pelas periferia do Brasil.
Este vídeo que eu achei no youtube, e que eu não sei quem gravou, deve ter mais de três anos, porque mostra o bar em uma disposição das mesas separadas, o que hoje já não acontece mais, e a máquina de assar frango que dividia o palco com os poetas. Tudo isso faz parte da nossa história. Tudo isso é Cooperifa.
É fogo no pavio! É tudo nosso!
Abs.
Sérgio Vaz
Poeta da Cooperifa, com muita honra
LEMINSKI
SOBRE POESIA - LEMINSKINunca quis ser outra coisa.
Aos 34 anos, acho que tenho direito a alguma opiniões.
Minha poesia aventureira tem um passado de freira e puta.
No ponto de origem, a empolgação pelo legado heleno-latino. Horácio, Ovídio, Catulo. Clareza e saúde mediterrânea.
A descoberta do haiku. Síntese e vazio zen.
O encontro com a poesia concreta, a vanguarda, o espaço, o ideograma, as linguagens industriais.
O impacto de Maiakoviski. Caetano, Gil, tropicália.
A mutação da letra de música popular. O coloquial. O cantabile. Humor/cartum.
Da poesia brasileira, menos.
Drummond, só uma dose simple para saber o barato que dá.
Cabral, por dever do ofício.
Oswald, já muito tarde para alterar rumos.
Com os demais, só contatos didáticos.
Nunca fui muito fanático Fernando Pessoa, de quem gosto mais pelo processo do que pelo do produto que, às vezes, me dá a impressão de mero ardil, saltos ornamentais numa piscina vazia.
Houve tempo em que fiz poesia rica. Mas era um Brasil de tão individada.
Hoje é mais pobre. Mas com menos dívida externa.
Evito a literatura.
É mitologia, ideologia, religião.
Procuro enxergar o texto à luz dos signos, da linguagem, da semiótica.
Poetas me interessam na medida da sua originalidade e coerência estrutural.
Faço questão de não me repetir, nem em sagues nem em soluções.
E sempre tive aversão natural ao surrealismo, pelo metafórico, pelo arbitrário, pelo "profundo", pelo psicológico, pelo típico.
Me deixo enganar às vezes pelo bem-feito e pelo bem acabado.
Mas estou alerta a que as coisas novas costumam pientar em estado acabado, irregular, "errado", discutível, problemático, perigoso, "experimental".
Não é minha inteção fazer poesia voltada radicalmente para a construção, a produção de matrizes novas para uma sensibilidade nova.
No que faço, subsiste um componete acentuado de expressão, de comunicação, portanto. Isso só é possível com um certo teor de retundâncias, de "facilidades", cuja desordem controlo e regulo.
Mas não tenho obsessões, não sou poeta de temas.
Tenho um horror pop a qualquer palavra que obrigue o leitor normal a ir no dicionário.
O resultado deve ser raro, os ingredientes têm de ser simples.
Tem um difícil que é fácil. E um fácil que é muito difícil. Prefiro este. Contra os aparos persas, diria Horácio.João Gilberto é um dos nomes tutelares da minha poesia.Uma poesia básica. Elementar como um abc ou uma tabuada.Tamanho não é documento. No meu modo de ver, a brevidade pertence à essência mesma da poesia.
Detesto poesia dita profunda. Estou cagando e andando para a psicologia.
Não tenho psique. Sou apenas uma besta dos pinheirais.
Na mesa da poesia, prefiro carne sem gordura, os ovos crus, a água na temperatura ambiente, a voz natural.
Poesia tem que me surpreeender. Poesia envolvente e insinuante me cheira a vigarice. Eu vejo logo o truque. Eu quero o susto e o eco do susto.
Criativamente, prefiro a companhia dos programadores visuais e dos músicos. Não consigo aprender nada com escritores.
Poesia, aliás, é território limítrofe entre o verbo e outras artes.
Ficção é literatura. Poesia, não. Um poeta, embora use palavras, está mais próximo de músicos e plásticos do que de ficcionistas que usam, aparentemente, as mesmas palavras que ele.
E mais próximo da fonte da fala.
Os signos com que falamos pertencem a uma família de signos completamente distinta da família dos signos com que escrevemos.
Falamos com ícones. Escrevemos símbolos.
A fala tem valores de entonação, cadência, melodia: é iconica, como no desenhos, a foto, o cartum, a dança, o judô.
A escrita é simbólica, arbitrária, esquisofrênica, repressiva.
O negócio da poesia é ficar brincando nas fronteiras.
95% da poesia que se faz e se publica por aí não tem nem 5% de poesia.
Começo a gostar da poesia 70% paar cima.
Fazem prosa empinhadas em linhas. Se pelo menos fosse boa prosa!
O baixo teor de informação (estética) do texto brasileiro é relativo a nossa condição de nação periférica, obscurantista, colonial, lusa, patriarcal, católica, mais de imitar que de pensar e criar?De qualquer forma, não acho que compactuar com subdesenvolvimento e redundância seja a solução. E voto no 14bis de Dumont para totem da tribo.
Poesia da música popular pode ser inculta (até é bom que seja).
Poesia no papel tem que ser informada.
Os que defendem uma poesia desprevinida esquecem que os grandes poetas do Brasil têm sido intelectuais de amplo saber e múltiplos interesses ( Bandeira, Drummond, Cabral, Murilo, sem falar no Mário).
A única exceção aparente é Oswald. Oswald é outro papo.
Mas penso que execivo amor aos síbolos é amor à morte.
Prefiro a vida, esse signo sempre incompleto.
Poesia, para mim, tem que ser alegria e esperança. O puro júbilo do objeto, esplendor do aqui e do agora. Ou a canção assobiada que ajuda a caminhar nas estradas, na viagem rumo à Utopia.
Cedo me dei conta que poesia não altera porra nenhuma do real histórico.
Quem quer fazer da poesia bandeira de guerra ou tribuna, errou de profissão e escolheu o intrumento inadequado.
Não que a poesia brotar do político ou do social, mais expecíficos. Pode. E até acho deve, num país como esse.
Mas que pinte do modo específico da poesia, no ser da linguagem.
Querem transportar a gravidade dos temas que abordamos (o perário, a miséria, a fome, a desgraça) para sua poesia. Mas um poema convencional continua medíocre mesmo que invista contra toda a opressão do mundo. Fenômeno mais de sociologia da literatura que de poesia, a imensa maioria dos poemas sociais que se vê por aí será um dia apenas índeces do estado de espírito de nossas elites escrevedoras nesta quadra feia e triste de nossa história.
Que ficou da imensa literatura e poesia abolicionista e replubicana que tomou conta do Brasil no final do Império?A poesia fala uma lígua. A História, outra.
Traduções são possíveis mas sujeitas ao estatuto de todas as traduções: infidelidades, erros, equívocos, más interpretações.
A poesia retundante, banal, presa a veículos convencionais, é mais provável. E vai prevalecer quantitativamente, sempre.
Mas é totalitarismo querer que todos façam a mesma coisa.
Ótimo que façam coisas extremas, estranhas, difíceis.
Maravilha que o pessoal todo admitisse que algumas pessoas façam coias diferentes, especiais, fora do igual.
O que a gente vê é uma intolerância monolítica dos setors mais politizados e progressistas (pelo menos, da boca para fora) em relação aos criadores mais independentes e dissoantes, como Caetano e Gil.
Não tem um jeito só de ser radical.
Quem não teme, não oprime. Nem reprime.
Aqueles que vivem legislando "o poeta deve", "o poeta não pode", 'isso não é poesia", "poesia tem de ser assim ou assado", nada entendem de poesia e querem apanhar o vento com a rede de caçar borboletas.
A poesia, vida, liguagem viva, vaza todas as frestas.
É disso que o povo gosta.
Paulo Leminski
1979
Sunday, May 18, 2008
Estrelinha Futebeol Clube
ontem fui no parque ver o Palmeiras dar um sacode no Inter-Rs, e toda vez que eu vou ao estádio eu fico pensando na importância que o futebol sempre teve na minha vida.
Puxa, sou de uma época em que todos os meninos queria ser jogadores de futebol, muitos, além de mim, ainda querem. E olha que não tinha nada ver com grana não, era somente pela magia. Não bota uma fé? Então se joga para outro blog que eu não recuar o meu time.
A idéia é quente, basta perguntar para os marmajos que nem eu que estão na linha dos quarenta, ou mais, de idade. A Várzea é uma prova disso. Quem joga tá ligado do que eu estou falando.
Abaixo tem um texto que eu fiz sobre futebol, e que está no meu novo livro que tem o nome provisório de "Literatura, pão e poesia" que lanço em outubro, no aniversário da Cooperifa.
Eu que nunca fui craque em nada, já corri muito por aí atrás de bola, e acabei sendo escalado pelo time da poesia, e o time que eu jogo bate um bolão, e se não ganha na bola ganha na idéia, empate, nem pensar!
Dizem que o futebol é o ópio do povo, então se eu sou o povo, adoro ópio.
De canela,
Sérgio Vaz
Volante da Cooperifa

Estrelinha Futebol Clube - Sérgio Vaz
No meu tempo de moleque ninguém tinha uma profissão em mente para se apegar ao futuro, todos, sem exceção queriam ser jogadores de futebol. E olha que naquela época bem dava tanto dinheiro assim. Mas não sei se pelo romantismo, pela magia ou simplesmente pela falta de perspectiva, sei lá, mas todos nós queríamos ser jogadores de futebol. Eu apesar da idade confesso que ainda quero.
Mas tempo passou, o Morumbi e o Maracana envelheceram em mim e a memória, este estádio vazio, toma dribles maravilhosos da lembrança, e tudo que me lembro foram os gols perdidos. Perdi muitos gols cara a cara com o goleiro, por isso não sou jogador, por isso não sou doutor. Tomei muita vaia do destino.
Não lembro de nenhum amigo desta época que tenha sequer passado na peneira de algum time profissional, poucos viraram doutores e uns tantos s não lerão este artigo, se é que vocês me entendem.
A Violência sempre fez muitas faltas no nosso jogo, e quase todas por trás. Dói só de lembrar.
Apesar dos intervalos, lembro-me de partidas inesquecíveis, dessas que começavam pela manhã e seguiam tortuosas pela tarde, interrompidas apenas pelo almoço e o café das três.
São momentos inenarráveis passados com estes parceiros de time, esses meninos sábios e imortais, sem presente e sem futuro deslizando os pés descalços pelo chão.
Hoje em dia, aquele campinho de terra que esculpimos com as nossas próprias mãos é um grande cemitério, e muitos deles estão ali, enterrados com seus sonhos, antes mesmo do jogo acabar.
Outros, por desrespeitarem as regras cometeram penaltis desnecessários (?), e, por ordem dos juízes, foram mais cedo para o chuveiro.
Para minha tristeza muitos ainda continuam a cometer faltas, sem medo de tomar cartões vermelhos ou amarelos, sem se importar com a força do adversário sem se importar com a cor da camisa, sem se importar com os derrotados, importando apenas vencer, vencer a qualquer preço.
Às vezes, quando a dor sai do vestiário e a saudade entra em campo, faço um minuto de silêncio, deixo uma lágrima rolar e jogo por eles a prorrogação.
O GRINGO MANDA SEU RECADO À COOPERIFA

Já faz um tempão que eu penso em escrever esse email. Penso nele desde o final de dezembro do ano passado, quando eu cheguei no Recife já com saudades da São Paulo. Demorou, é claro...fiquei bastante destraido com o Carnaval d'aqui, com as praias, com as minhas aulas de rabeca, em fim, com todas as coisas novas que eu conheci por aqui. Mesmo com tanta novidade, fico com muitas saudades de Sampa, e principalmente, da Cooperifa. Toda quarta-feira aqui em Olinda, tem um forró pe-de-serra, e quase a cidade inteira (e grande parte do Recife) aparece lá. É legal, mas não pode comparar com o sarau daí. As quartas-feiras no bar do Seu Zé são transendentes.
Morando aqui, é marcante ver como a reputação da Cooperifa já se espalhou pelo país. Muitos grupos e artistas que eu conheci aqui em Pernambuco já ouviram falar do movimento, e muitos são loucos para conhecer melhor. Tem pelo menos uma duzia de pessoas querendo trazer o sarau da Cooperifa para cá...vamos ver se rolar, né?
Não tenho o email de todo mundo do sarau, mas queria agradecer com todo o coração todo mundo que me fez sentir tão bem-vindo aí em Sampa. "Quando eu cheguei por aí, eu nada entendi," mas a Cooperifa foi a introdução mais profunda que eu já tinha de qualquer cidade em que eu já vivi. Quanto mais tempo eu passo fora, melhor eu entendo a força e a grandeza do sarau, e do movimento. E agradeco cada vez mais a oportunidade de ter entrado no sarau, de ter conhecido um povo tão lindo e tão inteligente.
Acabei, hoje mesmo, de fechar um artigo sobre a Cooperifa. O artigo faz parte da bolsa de pesquisa que está me apoiando aqui no Brasil. Escrevi em inglês, é claro, mas já fiz a tradução básica, no meu terrível português escrito, que estou revizando com uma amiga d'aqui. Em algumas semanas, a versão portuguêsa já estará pronto, e vou mandar. Quando for publicado a versão inglêsa, com fotos e tudo, também vou avisar (vai aparecer no site norte-americano http://www.icwa.org/, que já mostra alguns trabalhos meus, junto com uma das piores fotos já tirado de mim na minha vida).
Escrevendo o artigo, fiquei impressionado de novo com o papel tão vital que a Cooperifa assume em São Paulo. Reconheci um pouco mais a tremenda diferenca que ela faz na cidade, democratizando a poesia e até mesmo a paisagem urbana, revelando outras possibilidades artisticas e pessoais. Fiquei impressionado também com a genorosidade e o carinho dos integrantes. Eu já tinha participado em outros saraus, aqui no Brasil e lá em Gringolândia, e em varios grupos de produção artística. Muitos deles são bem legais, mas realmente não conheço nada com a presença e a importância da Cooperifa. Estou muito grato a ter tido a chance de conhecer e fazer parte desse movimento incrível. Através do sarau no bar do Zé Batidão, eu cresci como artísta e como pessoa, tanto como poeta quanto como cidadão do mundo. Não posso agradecer bastante pela diferença que Cooperifa me fez...mando um abração bem forte e um simples beijo gringo e prometo que, quando aparecer de novo na terra da garoa, vou direto pro sarau da Cooperifa.
Obrigado!
Muita paz, muita força, e tudo de bom,
O gringo que lembra
PS: Peço desculpas para todos os meus erros na sua lingua tão bonita. Até daria certo traduzir a carta, mas queria falar direitamente, sem tradução, com meu sotaque escrito. "Eu sou assim..."
Todo mundo tem o direito de viver cantando.
- Cartola
Friday, May 16, 2008
SARAU DA COOPERIFA
Povo lindo, povo inteligente,o João Wainer me mandou algumas fotos que ele tirou do Sarau da Cooperifa, e entre elas eu destaquei essa que aí está, e não acho que essa seja a mais bonita que ele tirou - e não são poucas as bonitas-, mas é a mais significativa pra mim, por vários aspectos. Não gosto dela pela qualidade, mas pela quantidade.
Essa foto é a síntese do que se tornou a Poesia na periferia, você não acha? Olha bem, qualquer pessoas desavisada jamais diria que essa foto se trata de um sarau de poesia, ou que esse lugar ficasse longe do centro de uma cidade, e de uma das violentas do país, São Paulo.
Talvez seja por isso que alguns intelectuais não nos perdoam, porque dessacralizamos a poesia, e a dividimos todas as quartas-feira como o milagre do pão, ao milagre do povo -e para alguns sábios endinheirados, o povo é apenas um subproduto da humanidade desprovido de sabedoria. E disso é feito o nosso povo, de pequenos milagres que a literatura extrai do nosso sangue, do nosso suor e das nossas lágrimas, e que a gente expõe generosamente na folha em branco.
A nossa literatura tem som, é possível escutar o passo das pessoas caminhando junto, tem luz, por isso agora a gente enxerga melhor, tem um hálito inconfundível como café da manhã que exala do copo de massa de tomate ao sair para o trabalho.
Essa fotografia é tudo isso ao mesmo tempo, presa em um só instante. E quando eu a vejo é como se eu visse as pessoas se movimentando do lado de fora, é como se eu escutasse o burburinho da nossa família comentando a poesia que acabou de ser dita, é tipo sentir o cheiro do escondidinho de carne-seca que só o Zé sabe fazer, é como se eu falasse"é tudo nosso" para cada uma delas, é como se fosse abraço de amigo nos momentos de dificuldades.
Esse poema fotográfico do João Wainer devia ser visto em todas as quebradas do Brasil, e eu só acrescentaria somente uma frase: É TUDO NOSSO!
Valeu João! Valeu Cooperifa! Tamo junto!
"...quem sabe faz a hora, não espera acontecer." G.V.
Apesar de tudo e de todos, estamos bem na foto.
Coração em chamas,
Sérgio Vaz
Thursday, May 15, 2008
VEM AÍ: LITERATURA, PÃO E POESIA (EM BREVE)
Lágrimas de crocodilo e outros bichos (Sérgio Vaz)No Brasil todo mundo é leão, é tigre, é onça, todos rugem, mas ninguém morde ninguém.
Todo mundo na selva sabe quem são predadores e onde dormem os inimigos, mas as garras finas e elegantes vão sempre desfilar seus óculos escuros no palco fino do açougue que vende carne de primeira. Tamanduá tomando conta do formigueiro.
Outro dia um abutre –ô bicho ruim!-, disse que os esquilos tinham que serem enjaulados logo que nascessem. E que a culpa toda não era das hienas que riam sobre a carniça, mas das coelhas que não paravam de parir. O discurso foi muito aplaudido pelas raposas.
Na floresta miúda, enquanto calangos e micos-leões-dourados disputavam migalhas para não extinguir, uma cobra, de terno e gravata, espreitava um papagaio vestido com a camiseta da águia americana. Nada mais animal. Com olhos de lince, a pantera assistia tudo vestindo uma boina a Che Guevara. O silêncio do pântano mata mais que o grito do jardim.
O Sapo de barba prometeu a promessa do tucano empolado, será? Sei não, esses bichos são muitos esquisitos...
Só sei que os pintinhos estão com fome, e, no galinheiro, as galinhas mortas estão assistindo briga de galo, já que o milho não dá pra todo mundo. Pra piorar, os porcos não querem nem saber, só se preocupam em se lambuzar na lavagem.
Do outro lado da mata, paradoxo total, todo mundo quer abraçar o Maracanã num país cheio de bicho abandonado, carente de abraços.
Sempre que morre um canarinho aparece um pavão com lágrimas de crocodilo para decorar o velório alheio. Pardal não canta, por isso morre em silêncio.
Outro dia um falcão segurando uma AR15 disse: “se morre um, nasce outro em seu lugar”. Só o burro não entendeu.
As antas também não entenderam que os bezerros são educados no semáforo porque os bois estão mamando livremente nas tetas da vaca.
Uma caneta na mão de um lobo é tão mortal quanto um 38 na mão de outro lobo. Pena de morte para o lobo de caneta?
-Justiça! Grita o gado a caminho do matadouro.
Infelizmente nascemos com uma jaula no coração. Por isso, latimos como cães, mas agimos como frangos.
O GUERREIRO SACOLINHA AGITA A LITERATURA EM SUZANO
maio/junho – 200816/5 – 9h
2º Encontro de Leitura e Biblioteca Pública
A Secretaria de Educação e Cultura do município de São Bernardo do Campo convida para este grande evento. Para este dia foi convidado o escritor Sacolinha para discutir sobre o tema proposto.
Local: Centro Cultural Antônia Marçon Bonício – Av. João Firmino, 900 –
B. AssunçãoInformações: (11) 4348-1000
GRATUITO
Sarau nas Escolas
A Associação Cultural Literatura no Brasil apresenta o seu sarau em escolas, asilos, clínicas de recuperação, livrarias e sebos durante todo o mês.
Informações: (11) 7615-4394 – Francis Gomes
20/5 – 20h
Entremeio Literário leva o escritor Sacolinha à Mogi das Cruzes
O grupo Entremeio Literário é um coletivo que promove um encontro todas as terças-feiras. No próximo encontro teremos o escritor Sacolinha falando de sua Trajetória Literária.
Local: Casarão do Carmo – Mogi das CruzesGRATUITO
27/5 – 20h
Trocando Idéias
Atividade da Associação Cultural Literatura no Brasil que tem como objetivo promover o debate à cerca do livro e do autor.
Livro do mês: São Bernardo – Graciliano Ramos
Facilitador: Sacolinha, escritor.
Realização: Associação Cultural Literatura no Brasil
Local: Centro Cultural de Suzano, Rua Benjamin Constant, 682 – Centro – Suzano
Informações: (11) 4747-4180
GRATUITO
28/5 – 19h
Trajetória Literária com o escritor Marcelo Rubens Paiva
Este é um projeto que traz para a cidade escritores nacionalmente conhecidos para falar de sua trajetória como escritor.
Realização: Associação Cultural Literatura no Brasil e Prefeitura de Suzano
Local: Teatro Municipal
Dr. Armando de Ré, Rua Gal. Francisco Glicério, 1354 – Centro – Suzano.
Informações: (11) 4747-4180
GRATUITO
Junho14/6 – 20h
Pavio da Cultura
Todos os segundos sábados de cada mês, músicos, atores, escritores, poetas, dançarinos e cineastas se reúnem para apresentar seus trabalhos neste sarau.
O homenageado dessa vez é o escritor Carlos Drummond de Andrade.
Realização: Associação Cultural Literatura no Brasil e Prefeitura de Suzano
Local: Centro Cultural de Suzano, Rua Benjamin Constant, 682 – Centro – SuzanoInformações: (11) 4747-4180
GRATUITO
28/6 – 19h
Pavio Erótico + Lançamento do livro Amor Lúbrico
Neste dia haverá diversas apresentações voltadas à temática do erotismo. Será lançado o livro Amor Lúbrico – textos para serem lidos na cama, que traz os 20 melhores textos do 1º Concurso de Literatura Erótica de Suzano, além da distribuição de preservativos, informações sobre DST’s e sorteio de kits eróticos.
Realização: Associação Cultural Literatura no Brasil e Prefeitura de Suzano
Local: Centro Cultural de Suzano, Rua Benjamin Constant, 682 – Centro – Suzano
Informações: (11) 4747-4180
GRATUITO
Inscrições para o 4º Concurso Literário de Suzano – Edição NacionalEstão abertas até o dia 24 de junho as inscrições para o 4º Concurso Literário de Suzano. Haverá premiação em dinheiro e os 20 melhores textos serão publicados na revista Trajetória Literária nº 4.
Para saber mais sobre este concurso, retire o regulamento no site: www.suzano.sp.gov.br/agendacultural ou no blog http://www.literaturanobrasil.blogspot.com/Realização: Associação Cultural Literatura no BrasilCo-realização: Prefeitura de SuzanoPatrocínio: PETROBRASGRATUITO
Arte na RuaTodos os sábados, das 10h às 16h as Associações de Artistas Plásticos de Suzano e Literatura no Brasil expõem quadros e livros no calçadão do Centro Cultural de Suzano para aquisições.Local: Calçada do Centro Cultural de Suzano, Rua Benjamin Constant, 682 – Centro – Suzano
Informações: (11) 4747-4180
Wednesday, May 14, 2008
LIBERDADE!
Tuesday, May 13, 2008
MANO BROW NA COOPERIFA
fuçando no youtube à procura de alguma coisa da Cooperifa encontrei esse vídeo do Mano Brow recebendo o 1º Prêmio Cooperifa/2006, que faz parte do DVD 100% Favela. Puxa, nesse dia acho que mais de mil pessoas passaram por lá, aí então, resolvi dividir com vocês esse momento de festa no bar do Zé Batidão.
Atenção, não fui eu quem copiou do DVD e coloquei no youtube, por isso está com uma imagem ruim, mas dá para sentir como foi a festa do nosso 1º Prêmio.
Achei legal colocar o vídeo porque estes dois fatos, Mano Brow e o prêmio Cooperifa, fazem parte da história da Cooperifa, contada por mim no livro "Cooperifa, quilombo da poesia", que sai em breve por aí, pela Aeroplano.
Até o lançamento livro vou contando, meio preguiçosamente, fatos da nossa história, onde eu falo de pessoas e fatos que contribuiram para o nosso movimento ser o que é, com qualidades e defeitos.
O Prêmio Cooperifa é um presente para todos aqueles que direta ou indiretamente contribuem com a periferia, mas não deixa de ser um prêmio polêmico, pois a gente faz uma votação com com a coordenadoria e a gente sempre esquece alguém, ai...
Estamos aprendendo a fazer, por isso o povo tem que dar um desconto.
Quer saber? O clima está para
Mil trutas, zero tretas. É tudo nosso!
Abs.
Sérgio Vaz
HAMILTON BORGES E OS 7 PECADOS CAPITAIS
Hamilton Borges Walê*
Mais um jovem com sonhos e um belo futuro abatido em Salvador. Dessa vez na comunidade de São Cristóvão, conhecida como Planeta dos Macacos não por acaso, mas pelo seu contingente populacional negro.
Os negros são mortos como insetos e a cada feriado ou final de semana as estatísticas parecem que nos desafiam a alguma ação. Parece que são os números que nos cobram.
Temos tabulado tantos corpos que já perdemos as contas.
A mãe de Diego de Jesus Sampaio, 17 anos, nos recebeu em sua casa. Reuniu as forças que podia e nos pediu justiça, para que lutemos, para que outra mãe não chore como ela.
Atravessamos a cidade em meio a uma chuva torrencial, pouco preocupados com a epidemia de dengue que nos ameaça tanto quanto a violência, saltamos os buracos e os esgotos a céu aberto, tínhamos que cumprir uma missão quase inútil dada a gravidade dessa outra epidemia que nos assola com farda de policia e distintivo oficial.
Oferecemo-nos para repercutir, denunciar, gritar e articular uma reação pela cidade.
Diego foi morto covardemente, depois de uma sessão de tortura. Foi alvejado várias vezes. O corpo foi conduzido por seu algoz até uma guarnição policial. Seus documentos foram destruídos e,sob a alegação de que ele era bandido, foi mandado como indigente ao hospital.
Seu algoz foi blindado pela policia. Comerciante já conhecido por suas ações de vigilante e crimes confessos do qual foi liberado pela justiça. Mais uma vez um crime motivado pelo ódio racial. Diego era estudante, tem família, era surfista e lutou horas no hospital pela sua vida.
Exigimos do governador que dê respostas a mais uma mãe que se debruça sobre o cadáver de seu filho adolescente e reflita sobre os sete pecados que têm sido cometidos pelo seu governo no trato com a segurança pública, quais sejam:
1- A Ira da policia nos bairros populares de maioria negra. A criminalização de populações inteiras submetidas a constrangimento, atos de violência, desrespeito e morte. Nada sugere uma suspensão dos atos arbitrários. Os fatos dão prova de que tudo vai piorar.
2- A soberba dos governantes que não dialogam com a população e apresentam planos mirabolantes para nossa segurança sem nos consultar. Como o programa Nacional de Segurança Publica com Cidadania, que para nós não passa de um Data Show que investe mais recursos em repressão do que em prevenção e tem tido o efeito de calar a boca de muita gente que poderia se pronunciar ante essa guerra que ceifa nossas vidas.
3- A avareza que impede muitas ONGs de se pronunciarem para não perder os vultosos recursos que se oferecem a cada cadáver que tomba de nosso lado da ponte. São os projetos para carentes e os intermináveis debates, seminários e encontros que se promovem em hotéis de luxo, onde se pratica...
4- ... a gula: conversam muito e vão para os coquetéis oferecidos com muito luxo e pompa deixando muita gente boa empanturrada e satisfeita, sentindo-se importante por que, de tempos em tempos, alguém vai para a televisão dizer que os negros estão fazendo algum progresso num governo democrático e popular, maquiando cinicamente os dados de nossa desgraça cotidiana
5- Luxúria: "Lúdico, Lúgubre e Luxurioso". Segundo o jornalista Dr. Fernando Conceição, estes são os três “eles” que nos etiquetam. Assim somos vistos pela elite tacanha e neocolonialista brasileira. Como lúdicos, divertidos, que podem elevar as divisas e arrecadações cantando, dançando e até celebrando o turismo étnico baiano. Somos todos coletivamente "Lúgubres", monstruosamente perigosos, insanamente bárbaros e nos matamos enquanto nos embriagamos nas favelas; e somos "Luxuriosos" porque sexualmente desregrados, com bundas oferecidas às fantasias de europeus ávidos por sexo.
6- A vaidade tem sido a tônica, o motor e a marca dessa segurança que em nada mudou nessa nova gestão. Mantém os mesmos quadros da polícia , muitos envolvidos com a tortura e a violência, citados em CPIs . Mais fortes em seus cargos de comando mandando praças e agentes para fazer o trabalho sujo, reproduzindo a lógica escravocrata de nos matarmos para ter "status" com o senhor. É um Narciso que se acha belo, mas com a mesma imagem de 16 anos atrás. É o que pensamos e vivemos nas vilas , favelas e presídios. Nada mudou.
7- Preguiça é o mal que tem afetado muita gente boa que lutou a nosso lado. Pessoas em quem apostamos nossas esperanças e agora se calam entre os senhores da Corte, assistindo ao extermínio de seu próprio povo; ou mesmo covardia, que não é exatamente um pecado capital cunhado no Vaticano, mas merece pena.
E, por fim, o silêncio que nos ronda já faz tempo, e é perigoso para um projeto do ponto de vista dos negros para o Brasil
A Mãe de Diego pede justiça e nós nos apresentamos com o que temos. A alma de Diego se junta às almas de Edvandro Pereira, Clodoaldo Souza, Aurina, Djair, Ricardo e tantos outros tombados na guerra injusta.
Hoje (03 de maio),às 16 horas, nós o sepultaremos e seu corpo será coberto por lágrimas e esperança. É tudo que nos resta, por hora.
*Militante /Poeta
Sunday, May 11, 2008
COLECIONADOR DE PEDRAS - PORÉM
Porém
Queria ter vivido melhor,
Porém a mediocridade sempre me foi farta e generosa
Nos caminhos que escolhi para viver.
Queria ter sido mais alegre,
Porém a tristeza sempre foi companheira fiel
Nos dias intermináveis de abandono.
Queria ter amado mais as pessoas que conheci
Ou que fingi conhecer,
Porém na maioria das vezes, eu também não me conhecia.
Queria ter andado mais livre,
Porém, algemado à ignorância, perdi muito tempo
Tentando voar sem sequer saber andar.
Queria ter lido mais livros,
Porém, analfabeto de ousadia, passei muitos anos
Enxergando pelos olhos adormecido de outras pessoas.
Também queria ter escritos mais poemas
Do que bilhetes pedindo desculpas,
Porém, as palavras sempre me vieram como culpa
E quase nunca como estrelas.
Queria ter roubado mais beijos e abraços
Das meninas que andavam desprotegidas,
Protegidas pela magia da infância,
Porém, cresci muito cedo, e a timidez sempre me foi
Uma lei muito severa a ser cumprida.
Queria ter pensado menos no futuro,
Porém, o passado simples nunca foi o melhor presente
E a eternidade sempre me pareceu coisa de gente que tem preguiça de viver.
Queria ter sido um homem mais humilde
Porém, a vaidade e a ganância sempre me cercaram
De mimos e coisas que até hoje não sei para que serviram.
Queria ter pregado mais a paz,
Porém, como um covarde, gastei muita munição tentando atingir amigos e desconhecidos que não usavam coletes à prova de balas nem blindados no coração.
Queria ter sido mais forte,
Porém rir dos vencidos e bajular os mais ricos
Sempre me pareceu o caminho mais curto
Para o esconderijo secreto das minhas fraquezas.
Queria ter dito mais a verdade,
Porém a mentira sempre foi moeda de troca
Para comprar o respeito e a admiração das pessoas fúteis
De almas vazias.
Queria que o mundo fosse mais justo
Porém, avarento de nascença, fui o primeiro a esconder o sol na palma da mão, antes que o vizinho o fizesse.
E mesquinho por vocação escondi as noites com lua
Para que os poetas não a cortejassem.
Queria ter dito mais besteiras,
Porém fui desses idiotas amantes das proparoxítonas
E sujeito oculto nos bate-papos de botecos de esquinas,
Onde a vida não acontece por decreto.
Queria ter colhido mais flores,
Porém o medo de espinhos afugentou a primavera.
E outono que sempre fui,
plantei inverno quando a terra pedia verão.
Hoje queria ter acordado mais cedo,
Porém temo que pra mim
Seja tarde demais.
Sérgio Vaz
BECO DA PALAVRA

COOPERIFA, QUILOMBO DA POESIA
Povo lindo, povo inteligente,
Saturday, May 10, 2008
PARA TODAS AS MÃES DESTE MUNDO, E DO OUTRO TAMBÉM.
Filha de Saturnina
Maria nasceu em Ladainha,
No intestino de Minas,
Quase Bahia.
O nome Maria
Quem deu foi o pai,
Seu Firmino.
Das Dores,
Sobrenome da agonia
Quem lhe deu
Foi o destino.
Na cidade grande
Vendeu cosméticos,
Roupas e sapatos.
Varreu chão, lavou pratos,
Mas nunca foi domesticada.
Sorria
Por desobediência
Por falta de instrução.
Por alegria?
Só se fosse descuido do coração.
Sob o disfarce
De mulher maravilha
Morreu sem avisar.
Frágil,
Mas sem implorar.
Feito flor que rasteja,
mas que a primavera
não pode humilhar.
Sérgio Vaz
Thursday, May 08, 2008
DIA DAS MÃES
Entoados em louvor às revoluções
Nos campos de batalhas,
Nenhum, por mais belo que seja,
Tem a força das canções de ninar
Cantada no colo das mães.
Sérgio Vaz
SARAU DA COOPERIFA, Ô LUGAR !!!!!
o sarau da Cooperifa de ontem foi de assistir de joelhos e de mãos dadas. Ou com as mãos espalmadas apontadas para o céu.
Nem o frio foi páreo para nós, o calor que emanava dos nossos corações era capaz de derreter qualquer geleira que tentasse se aproximar. Que frio que nada, dava para ver a faisca saindo dos olhos do povo.
Ontem foi um dos saraus mais nervosos desse ano, um poema mais bravo que o outro, um poema mais doce que o outro, a palavra foi respeitada como deve ser, pura, sem máscaras.
E se já não bastasse o time da Cooperifa que estava com a língua afiada, sugando o silêncio maravilhoso da comunidade, Hamilton Borges-BA chega de surpresa no nosso Quilombo. Aí nem queiram imaginar como foi a noite. Hamilton é parceiro de Nelson Maca e é um dos maiores ativista negro/periférico deste país. Sem palavras.
Sua apresentação poética foi aplaudida de pé, aliás, a generosidade dos aplausos da comunidade, mais parecia um cobertor de lã aquecendo nossos corpos. Que noite! Que noite!
Ao final nos despedimos do poeta Tadeu Lopes que está indo morar em Portugal. Suas palavras arrancaram lágrimas de quase todos os amigos que ele vai deixar por aqui. Uma das coisas mais importantes que ele disse foi sobre a importância da família Cooperifa na vida dele.
Foi emoção demais para uma só noite. Boa viagem poeta, até daqui a pouco.
Depois de tanto tempo longe não via a hora de retomar as atividades do blog, já estava com muitas saudades de vocês.
*Ontem foi a estréia do programa Manos e minas na Tv cultura, apresentado pelo Rapin Hood, e com participação do Alessandro Buzo e do Ferréz, como não tive tempo para falar sobre isso, vou fazer uma matéria especial esta semana. Boa sorte para eles!
Coração em chamas,
Sérgio Vaz
Wednesday, May 07, 2008
ESCRITORES DA LIBERDADE
Depois de muito tempo longe de tudo e de todos, por conta do livro da Cooperifa que eu estava escrevendo -acabei de escrever, mas depois eu falo disso-, a primeira coisa que cai em minhas mãos é o filme "Escritores da liberdade" que eu ganhei ontem de uma professora na escola onde eu fui dar oficina de poesia. Fiquei feliz por dois motivos, primeiro porque adoro cinema, mas adorar de adorar mesmo, e não é papo furado ou idéia para agradar em mesa de barzinho, sou do tipo que coleciona, e se liga na história e tal, e também gosto de um monte de filmes e de um monte de lugares. Sempre achei que na periferia devia ter um cine-clube para a gente assistir uns filmes que não passam no cinema ou na tv, tipo Machuca, Sacco e Vanzetti, Conta comigo, Jules and Jim, O Cangaceiro, Lúcio Flávio, El Cid, o Carteiro e o poeta, Um dia de Cão, Touro Indomável, e mais uma infinidade de clássicos cinematográficos tão importantes quanto os clássicos da literatura.E segundo porque todo mundo que já tinha assistido estava me recomendando, porque achava que de alguma forma eu iria me identificar com a história. Acertaram.
Eu estava resistindo, porque acho que esse tipo de filme, depois de "Ao mestre com carinho" com Sidney Pottier, virou meio clichê. É. Essa história do professor bonzinho entrando na vida de adolescentes problemáticos, de comunidades problemáticas... Mas aceitei assistir porque é sobre uma história real na cidade de Los Angeles, no turbulento início dos anos 90, pós Rodney King, lembram?
E Também porque há dois anos estou fazendo os saraus e oficinas nas escolas da quebrada e que poderia sugar alguma coisa para levar para os alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Ah, também porque curto a Hilary Swank (menina de ouro), ela é a dentuça mais charmosa que eu conheço.Quando o filme terminou, eu pensei: “mas não é que o filme é legal mesmo?” Que história bacana de ser assistida, ainda mais sobre o ponto de vista da literatura sobre os jovens, e vice-versa, e do ponto de vista do preconceito que ainda assola o nosso mundo.
Lembrei dos Professores Rodrigo Ciríaco, do Maca, do Samuca, e de um monte de mestres que estão aí na periferia tentando educar a molecada que o estado não quer que seja educada.
As escolas são analfabetas e a culpa não é do professor, eu sou testemunha ocular desse crime.Para eu que só vou uma vez por semana nas escolas e não dou nota para nada do que eles fazem, é muito fácil trocar idéia e conseguir a simpatia gratuita da juventude, mas vai ver isso todo dia... Hoje tem marmanjo dando na cara de professora. Que deselegância.Quer saber? O Professor é tipo meu herói! Aí, você pode falar:"é, mais tem uns...", mas tem “uns” em qualquer lugar, em qualquer tipo de profissão. Aliás, transmitir conhecimento não devia ser profissão, devia ser encantamento, e esses feiticeiros poderia ter todo o ouro que precisassem, quando o diamante acabasse.Não abro mão, Professor devia ter capa e cinto de utilidade.
Eu acho que Professor voa, tem superpoderes e visão de raio-x. Eu quando estou em perigo chamo um Professor, não quero nem saber se ele é da rua ou se é da escola, consulto sempre um mestre.Bom, tirando meus efeitos especiais, e voltando ao cinema, o Filme é bem piegas, mas confesso que funcionou comigo.
Na calada da madruga, depois de um dia intenso de correria, uma emoçãozinha até que não foi mal.
Se você não tiver lição pra fazer em casa, na hora do recreio é bem melhor, assista e depois comenta comigo.
Toda aula devia começar assim: LUZ, CAMÊRA, AÇÃO. SONHANDO!
Estou de volta às ruas, dirigindo meu destino,
Sérgio Vaz
aprendiz de feiticeiro
Tuesday, May 06, 2008
TERÇA-FEIRA POÉTICA
em meio a tanta loucura que se tornou a vida, por conta dos compromissos, a gente ainda tem que arrumar tempo para as oficinas de poesias nas escolas. Primeiro porque poesia é bom em qualquer dia da semana, e segundo porque traballhar poesia com a molecada é muito da hora. Hoje, a convite da prof. Eliete, fui no projeto "Agente Joven" no Jd. Scândia, em Taboão da Serra, uma região ,e onde morava minha mãe, quando estava viva. Uma parte da familia ainda mora lá.
Amigos, a professora já tinha feito um trabalho de poesia com eles, por isso fizemos um sarau, e boa parte dos poemas lidos eram de autoria dos alunos. Mal podia acreditar no tanto de poesia que eles escreveram.
E Poemas bem feitos, e bem lidos. Para falar a verdade, pensei que ia ser apenas mais um dia, mas não, foi o dia. Como sempre, no começo a timidez imperava, depois eles tomaram conta e mandaram ver à vera. Parabéns!
Ficamos de bolar um livreto com eles para o fim do ano, espero que dê certo.
Queria agradecer à professora e a eles por esta tarde bacana.
É tudo nosso!
Abs.
Sérgio Vaz

Sunday, May 04, 2008
IDEOLOGIA (SER/ESTAR)
COOPERIFA: É NÓIS !!!!!!Se está porque é, está certo ficar.
Mas se é,
só porque Star,
não é estar
que você vai ser.
Ser
E VOCÊ, PRATICA O SEU DISCURSO ?
Cooperifa - Exército de Quixotes a semente do entendimento já está plantada e o passo seguinte é o seu florescimentoem atitudes de inconformidade e, talvez, rebeldia.
Thursday, May 01, 2008
POESIA NO AR
Sérgio Vaz
ATAQUE AÉREO - SÉRGIO VAZ
Batalha de abril (Poesia no ar) – Sérgio Vaz
Não há palavras para descrever o que foi a noite de ontem no sarau da Cooperifa. Quem sabe talvez "Catarse" seja a palavra para defini-la. Na noite mais fria de São Paulo a periferia teve uma das noites mais lindas de sua vida. Uma das noites mais gentis e belas de nossas vidas. Uma noite em louvor à amizade, à palavra e à poesia. Uma noite para sempre, em nossas retinas.
Só para se ter uma idéia, nesta quarta-feira fria de véspera de feriado, onde boa parte dos paulistanos estava entrincheirados e mau-humorados na imensidão do trânsito em buscas de dias de paz, onde a torcida do Palmeiras, Corinthias e São Paulo estavam em casa ou no Morumbi assistindo os jogos, mais de quinhentas pessoas vindas da comunidade, de outras quebradas, outras cidades, de outros estados e até de outros países, compareceram ao Sarau da Cooperifa para participar do 2º Poesia no ar, que para sempre, devido as dificuldades, será lembrada como a batalha de abril.
Duas escolas, Zacarias e Antônio Agio, enviaram seus alunos para prestigiarem o evento. Os Professores dessas duas escolas acreditam que o sarau da Cooperifa é uma extensão da sala de aula, por conta disso, da proximidade do conhecimento, muito de nós estamos perdendo o medo das notas vermelhas e estamos voltando a estudar. A gente achando que estava seduzindo a escola, e a escola, dos nossos parceiros professores, nos seduzindo descaradamente. Sem os muros entre nós, que bela aula nos tivemos - muita gente já voltou a estudar por conta dessa irmandade. Escola + comunidade = Futuro.
Bom, mas voltando à noite mágica, o sarau transcorreu normalmente até às 22hs30, e vale lembrar que tinha mais ou menos uns cinqüenta poetas para declamar, e todos recitaram normalmente. Quer dizer, foram normalmente fantásticos!
Uma poesia mais bela do que a outra, se é que isso é possível, e uma noite de literatura pura, como há muito não se via, como há muito não se produzia. Mesmo por aqueles que ordenam, quem deve escrever e quem deve ler nesta metrópole cinza e analfabeta, comandada por uma elite de intelectuais arrogantes que nos odeiam por amar os livros e à criação poética. Que comam brioches!
A esta altura, quase quinhentos balões, portando poesia e mensagens do sarau da Cooperifa devem estar chegando nos quintais do povo paulistano, com um pouco do que aconteceu na noite de quarta-feira. Dê uma olhada no seu quintal, quem sabe...
Se você não esteve lá, perdeu, porque não vai passar em nenhum órgão da imprensa, que tem muito mais apreço à bala perdida, do que poesia. Ora, então por quê será que eles tanto pedem paz?
Em frente à praça uma pequena multidão portando balões com munição poética aguardava em posição de combate, a contagem regressiva, para o atacar a cidade enquanto ela dormia, quase que inocentemente, com uma chuva de poemas contendo um gás extremamente venenoso: a resistência.
Não banquem os tolos, estamos em guerra, e a nossa poesia iletrada, dura e com cheiro de pólvora, é apenas um artifício para confundir os tais sábios, e os que fingem que não sabem de nada.
A Poesia no ar é só aviso que o nosso pequeno exército marcha corajosamente sobre a terra, contra tudo e contra todos, mas sem esquecer o sorriso no rosto, e os punhos cerrados. Somos nós por nós!
Por uma periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor.
*Agradecimentos especiais: Família Cooperifa, Zé Batidão, Ali Sati (Eurotur Turismo) e aos amigos de sempre.








































































































