Friday, May 30, 2008

LITERATURA, PÃO E POESIA (EM BREVE)

LITERATURA PERIFÉRICA

Vestida de noiva (baseado em fatos reais) - Sérgio Vaz


O casamento estava marcado para as 18 horas, mas como toda noiva que se preze, Tereza também chegou atrasada, coisa de meia hora. Não foi fácil conseguir esta igreja, então não era bom abusar da paciência do padre. Do lado de dentro um calor lascado. Os convidados e os padrinhos suavam em bicas.
A pequena catedral estava lotada -a noiva era muito querida no escritório onde trabalhava, até o gerente estava lá.
Quando a noiva surgiu na porta foi um alívio para todos. Muitos só pensavam na festa e no chope gelado. “Que calor!”, disse um coroinha.
De braços dados com o tio, já nos primeiros três passos que avançava para o seu casamento começou a chorar. Chorava de emoção, mas também porque seu pai não podia estar ali, de braços dados conduzindo-a ao altar como sempre sonhou.
Chorava porque naquele exato momento seu herói estava internado numa cama de hospital e não podia ver sua princesa casando-se com um príncipe, como ele sempre lutara para que isso acontecesse.
Cada passo uma lembrança. Cada passo uma lágrima. A noiva chorava copiosamente. Muitos dos convidados também choravam enquanto ela caminhava para o altar.
Feliz pela metade, ela só conseguia pensar: “queria que meu pai estivesse aqui”, e chorava.
Do outro lado da cidade, na cama do hospital, seu Durval, entre uma dor e outra, caminhava com ela em pensamento. E também pensava: “como eu queria estar lá”, e chorava também. Na vizinhança não se conhece tamanho amor entre pai e filha como o dos dois.
O casamento só aconteceu porque já estava marcado há muito tempo e por insistência do pai, pois por ela, que se danasse tudo.
O sonho do pai sempre foi vê-la de noiva e o dela era ser conduzida pelo pai. A Mãe era testemunha desse sonho, por isso chorava com eles.
Quando chegou em São Paulo, aos 23 anos, fugindo da seca e do desemprego na sua cidade, seu Durval era apenas mais um, perdido na cidade grande. Uma mala na mão e na outra, nada. Foi assim que pisou na selva de pedra.
Já na rodoviária conseguiu um emprego numa obra na Avenida faria Lima. Sem dinheiro para pensão, morou por seis meses no trabalho, junto com outros conterrâneos. Enquanto construía o prédio sonhava que construía sua própria casa. Por conta disso, do amor com que trabalhava pensando que construía sua própria casa, logo conseguiu uma promoção, de ajudante passou a ser pedreiro.
Um pouquinho mais no bolso alugou uma casa na periferia da Zona Sul. Coisa pequena. Quarto e sala e um banheiro com chuveiro de água quente.
Seguiu assim, construindo casas como se construísse a sua.
Conheceu Esperança num baile perto de casa e com pouco tempo já estavam morando juntos. Amasiados. Mais Esperança sempre quis casar. Mas como não tinham dinheiro adiaram para sempre este desejo. Quem sabe um dia...
Esperança sempre foi mulher de fibra, quando construíram a própria casa depois de muitos anos, foi ela quem carregou os blocos de cimento para dentro do quintal. Ela quem trazia água para a massa do cimento. Ela é quem era a ajudante geral. Ela ajudou a construir a casa em que moram com o mesmo amor em que deu a luz a suas três filhas. Por isso, chorava no casamento. Chorava por amor e pela ausência do marido. Em meio à saudade teve tempo de lembrar que filha realizava o sonho dela: “casar vestida de noiva”. E chorava como mulher, Chorava feito mãe.
Já no altar, fitou a mãe, e ambas trocaram lágrimas e sorriso molhados.
Faltava o pai, mas o dia era de felicidade. Elas sabiam disso. Então riam e choravam ao mesmo tempo.
O marido, enquanto lhe aliançava ganhou de presente um dos sorrisos mais lindos que o mundo já produziu, e de quebra, um sim que valia por três. Mais ainda assim lhe faltava o pai.
Depois do banho de arroz todos entraram em seus carros e foram direto para a festa. Quase todos. Tereza e o marido pediram para que o motorista desviasse um pouco do caminho e foram, ele de terno e ela vestida de noiva, direto para o hospital pedir a benção do pai.
Ao vê-la no quarto do hospital Durval custou acreditar que estava vivo.
Choravam o pai, a filha, as enfermeiras, o marido, os médicos, os curiosos, os outros doentes, o hospital virou um vale de lágrimas. De alegria.
A vida doía, mas ainda assim valia a pena, pensou o pai com um tubo enfiado no nariz e um buraco aberto no peito.

*de sonho realizado seu Durval morreu uma semana depois.

LITERATURA PERIFÉRICA

42 gramas


A vida que pesa uma tonelada
perde um beija-flor na hora da morte.
Não importa a distãncia do vôo,
21 gramas a menos
o corpo se despede da alma.
Há quem diga
Que é muito pouco
E que o espírito pesa mais.
Que sei eu sobre isso? Nada.
Sou passarinho longe da gaiola
Que não sabe contar os dias.
Poeta pequenininho
Que junta letras com asas
Num caldeirão vazio de papel.
Fora isso,
Sei que o poema
Tem o peso da eternidade,
mas nunca envelhece.
E se morre,
No coração de quem Lê
Sua alma,
Tem 21 gramas a mais.


Sérgio Vaz


*do livro Colecionador de pedras

SÁBADO TEM SARAU DA COOPERIFA NO SINDICATO DOS PROFESSORES

Foto: João Wainer
Povo lindo, povo inteligente,
A Poesia não pára e neste sábado vamos fazer um sarau no sindicato dos Professores a convite do Prfessor Toninho, guerreiro da Cooperifa. Todo mundo lá.
Acho que esta semana nós vamos bater nosso recorde de poesia, uma semana inteira, uma média de quase mil pessoas, ou mais, porque ainda não fechamos a conta do Panelafro e o sarau do sindicato, que ainda vão acontecer.
Para nós tem sido bom essa correria, porque a gente pode provar na prática aquilo que a gente escreve no papel. E nos mantermos firmes no nosso propósito de divulgar a Literatura da periferia, o incentivo à leitura e à criação poética. A Cooperifa + Periferia = Futuro
Não somos o dono da verdade, mas não somos escravos da mentira. E antes que eu me esqueça, o tempo é o senhor de todas as respostas.
Está dado o recado.
Um sorriso no rosto e os punhos cerrados,
Sérgio Vaz

SARAU DA COOPERIFA
Dia 01 de junho 15hs30
Local : Sindicato dos Professores
Rua Borges Lagoa, 208
Perto do Metrô Santa cruz
*Atenção Poetas,
Tem um ônibus especial saindo do Bar do Zé Batidão às 14hs30 direto para o local

HOJE TEM PANELAFRO

Clique no cartaz para ampliar

Povo lindo, povo inteligente,

a correria não pára, e na sexta-feira não podia ser diferente, hoje tem Panelafro, um dos maiores eventos culturais da Zona Sul de São Paulo, e para registar isso, eu e o Buzo vamos fazer a gravação do "Buzão - Circular periférico" do programa "Manos e minas" da TV Cultura, apresentado pelo Rapin Hood.

Então já é, daqui a pouco a gente se encontra. Axé.

Abs.

Sérgio Vaz


SARAU RAP - POESIA DAS RUAS

SARAU RAP

Povo lindo, povo inteligente,
Como eu disse, a poesia não pára, e ontem, quinta-feira, aconteceu mais um Sarau Rap, projeto que coordeno na Ação Educativa. Foi mais uma noite onde a palavra e a informação foram comungada de forma honesta e objetiva. As letras da rapaziada a cada dia estão mais elaboradas, e todo mês eles chegam com novos trabalhos, cada um melhor que o outro.
No mais, segue nosso apetite de escrever um livro com todo esse trabalho que estamos fazendo com eles.
É isso.
Deixa eu correr que daqui a pouco tem Panelafro.
Sérgio Vaz

Thursday, May 29, 2008

SE LIGA AÍ MALANDRAGEM...

CORUJA - DOCUMENTÁRIO SOBRE BEZERRA DA SILVA
Taí, tudo de bandeja, um documentário sobre o malandro Bezerra da Silva, rei do partido alto, porta-voz das favelas e vagabundo nato. Indique para seus amigos, mas não "caguéta" que foi eu que traficou no blog a informação.

Tô saindo fora, antes que pinte sujeira. Abaixo o nome dos malaco que fizeram a fita.

Direção: Márcia Derraik e Simplício Neto

PARTE 1



PARTE 2

SAIBA MAIS SOBRE O DEBATE

Foto: Alexandre Azevedo
Leia a cobertura do debate "Como se forma a opinião do Brasil", que rolou terça-feira na
FNAC Pinheiros.

Literatura, pão e poesia

O Pequeno Príncipe - Sérgio Vaz

Na semana passada fui participar de um sarau com os alunos da escola Paulo Afonso em Capuava, que fica em Embu das Artes, na divisa com Cotia. Além de mim também foram convidados o Gaspar (Záfrica Brasil), Zinho Trindade e o Baltazar (Preto Soul).
O Alunos da 5ª e 6ª série também prepararam uma apresentação para o dia, sob a supervisão de alguns professores, inclusive do Wagner, meu amigo.
A Manhã de poesia já estava servida como merenda no pátio da escola e, para minha surpresa, a molecada repetia várias vezes. Até aí, além do presente da vida, nada demais. Um poema solo aqui, um poema em grupo ali, uma música à capela, e o frescor da infância se esfregando nos meus olhos.
Em um determinado momento a professora chama um garoto, para se apresentar. Tímido, como poucos, recitava sua poesia com bastante nervosismo, o suficiente para que alguns dos alunos começassem a rir da sua declamação. Sei que não riam por maldade, crianças apenas riem.
De Súbito senti minha alma desprender do corpo, numa rápida viagem astral para o passado. Vi-me ali no seu lugar, com 12 anos, sendo punido pela timidez por apenas estar vivo na hora errada. “A Timidez é uma lei muito severa a ser cumprida...”.
De volta ao futuro, ainda consegui vê-lo em sua batalha contra o mundo. Como eu já disse, enquanto alguns riam ele recitava, como quem expulsava o silêncio do corpo. Parecia que lhe faltava o ar, as palavras lhe traiam, as vírgulas abriram fuga, os olhos caminhavam devagar demais para tanta pressa de sair de cena. As mãos tremiam por todo o corpo.
Nós poetas torcíamos por ele, os educadores gritavam pelos olhos por ele.
De repente o vento parou de soprar para que o barulho não o atrapalhasse.
Os Pássaros debruçados nas árvores o acompanhavam em si bemol.
Uma nuvem calou a camada de ozônio para que ele pudesse respirar melhor.
Assim como um milagre, que só as crianças sabem o segredo, pude vê-lo refletido nos olhos úmidos das pessoas, e o riso, como se recebesse uma ordem do universo, partiu para uma outra dimensão.
O mundo inteiro parou para ouvir o mais lindo poema da vida, a coragem.
Ao terminar, ele riu, agradeceu aos aplausos e saiu como um nobre cavaleiro que acaba de derrotar um dragão, e sem nenhuma gota de sangue pelo corpo.
Eu ali como um fraco, voltando ao passado, tendo pena dele, e ele ali, como um príncipe guerreiro enfrentando o futuro, e de canja, deixando a lição pra gente fazer em casa: “Só os fortes sobrevivem”.
Quando eu crescer quero ser como ele, gente.

UM ROLÊ NA QUEBRADA DO SARAU DA COOPERIFA, QUE NOITE!

Povo lindo, povo inteligente,

a caravana da poesia não pára. Ontem fizemos a gevação do "Buzão - circular periférico" no Sarau da Cooperifa, mas antes, levei o Buzo e o Jairo para conhecer um pouco sobre o bairro onde eu fui criado: as ruas, as pessoas e o antigo boteco do Zé batidão, onde eu lancei o meu primeiro livro há vinte anos. Fazia tempo que eu não dava esse rolê, fiquei muito feliz por isso. Estava precisando.
A Noite, Sarau da Cooperifa, já nem sei mais o que falar, mas... O BAGULHO ESTAVA ESTRUMBADO!!!!!!!! QUE NOITE !!!!!!!!!!!!!!!

É isso.

*deixa eu correr que hoje tem Sarau Rap. Vai colar?

Abs.

Sérgio Vaz

Este é a penas o lado direito do Sarau

Nuno Mendes (espaço Rap) e Pablício (9mm)

A Cineasta Lilian Santiago estreiou finalmente no sarau
Messias Preto, Wilsinho e esposa (Família Retrão)

A Experiência

Daniel Ferraz

Psiu

Lobão

Do alto da quebrada, dá para ver o mundo

As Pessoas que moram nestas casas, são as pessoas que dão orgulho de ser Brasileiro

"...quem dera pudesse, a dor que estristece, fazer compreender
que a vida é bela, só nos resta viver". Ro Ro.

Wednesday, May 28, 2008

CONFORME PESQUISA, MULHERES LÊEM MAIS QUE OS HOMENS

Povo lindo, povo inteligente,

conforme o pesquisa do data-folha as mulheres lêem mais do que os homens, e os brasileiros mais lidos são Monteiro Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis. Bom, quem sou eu para contestar, mas... conforme pesquisa aberta divulgada pelo data-vaz, o Livro "Colecionador de pedras", Global Editora é o mais lido na quebrada.
A pesquisa foi feita com dez mulheres, de várias idades e classes sociais. O Instituto data-vaz divulgou a pesquisa para provar a sua credibilidade:

Nome e livro:
Sônia H. S. Gramacho (esposa) - Colecionador de pedras
Laide Rosendo Vaz (mãe adotiva) - Colecionador de pedras
Mariana G. Vaz ( ex-filha) - 85 letras e um disparo -Sacolinha
Silvana Vaz (irmã) - Colecionador de pedras
Patrícia Vieira (irmã) - Colecionador de pedras
Juliana Vaz (irmã) - Colecionador depedras
Filadélfia Gramacho (cunhada) - Colecionador de pedras
Rose Dória (musa da Cooperifa) - Colecionador de pedras
Laysla Ribeiro (sobrinha) - Colecionador de pedras
Marilda (esposa do Buzo) - Guerreira - Buzo *acho que esse voto foi tendencioso e não devia valer.

*A pesquisa foi registrada no nº 171/171 no Cartório do Zé batidão.

E VOCÊ, QUAL O SEU LIVRO PREDILETO ?
Colecionador de pedras, Global Editora, Nas livrarias

*da Folha de S.Paulo, em Brasília

As mulheres lêem mais que os homens, diz a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que será divulgada hoje, em Brasília.
O estudo, elaborado pelo Instituto Pró-Livro, mostra que população está acostumada a dedicar muito pouco --ou quase nenhum-- tempo aos livros. Do total dos leitores, 55% são do sexo feminino, público maior em quase todos os gêneros da literatura -os homens lêem mais apenas sobre história, política e ciências sociais.
Segundo a pesquisa, a Bíblia é o livro mais lido pela população brasileira --43 milhões de pessoas já a leram, dos quais 45% afirmaram fazê-lo com freqüência.
O segundo colocado é o livro "O Sítio do Picapau Amarelo", de Monteiro Lobato, apontado como o escritor mais lido no Brasil. A lista dos escritores brasileiros mais lidos inclui ainda, pela ordem, além de Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis.

QUINTA-FEIRA TEM SARAU RAP


SARAU RAP - POESIA DAS RUAS

Quinta-feira 29 de maio 20hs

Projeto "Poesia das Ruas" Ritmo e Poesia

O Projeto Poesia das Ruas é um sarau dirigido a rimadores e rimadoras do Rap.
É um espaço para o exercício da criação poética.
Sem música, MCs declamarão suas letras, compartilhando talento literário.

Iniciativa do poeta Sergio Vaz, o Sarau do Rap é realizado em parceriacom a Ação Educativa e contece toda última quinta-feira do mês.

Fundador e coordenador do Sarau da Cooperifa, Vaz, pretende buscar,através da oralidade, um incentivo para a criação poética.
Rap é ritmo e poesia (rythman and poetry).

Ação Educativa

Rua: General Jardim, 660 – Vila Buarque - SP
Entrada: Gratuita
Capacidade de lotação: 200 pessoas

PROGRAMA MANOS E MINAS NO SARAU DA COOPERIFA

Hoje tem a gravação do "Buzão - Circular periférico"
do programa MANOS E MINAS da TV Cultura.

DEBATE NA FNAC

Povo lindo, povo inteligente,

Ontem rolou o debate na FNAC com o Maurício Eça, eu e o Nassif, sobre como se forma a opinião no Brasil, de minha parte aprendi muito com o jornalista Luís Nassif, e me sensibilizei com a sua luta infante contra a revista Veja. O Maurício Eça, cineasta, já é amigo das antigas, e também vai começar sua busca por parceiros para o seu novo filme sobre a vida dos Mamonas assassinas. E a gente, com a velha e boa briga de sempre, sobreviver. Como podem notar, foi uma noite de Quixotes.
Um bom público apareceu para assistir, e boa parte formado por amigos e gente da Cooperifa: Marcelo Min e esposa e filho, Arthur (Soma), Lobão, Wésley Noóg, Jairo e Juliana, Du Toledo e Karina, Broi, Fabiana, e mais uns chapas que sempre colam nas nossas paradas e que nos fazem sentir protegidos quando não estamos no nosso terreiro. Valeu pela força.
Não concordei com algumas coisas do Nassif - inclusive sobre cotas que ele se diz ser contra, mas que acredita numa cota social, mas como o tema não era esse, ficou de levar esse assunto para uma outra hora, eu sugeri na Cooperifa, enfim...-, mas ficou claro que no país tem muita gente querendo mudar o que está estabelecido, quer seja da periferia ou não.
A Nossa meta é identificá-los para que eles possam nos ensinar algumas coisas e trocar experiências para quem sabe um dia a gente acender o pavio. Humildade para aprender, essa é a chave do bagulho. Fui.
Na correria,
Sérgio Vaz

Tuesday, May 27, 2008

É HOJE!!!!!!!


PROJETO SAMBA DA HORA NO MANOS E MINAS

SAMBA DA HORA - SÉRGIO VAZ
Ontem aconteceu a gravação do "Buzão - Circular periférico", que faz parte do programa Manos e minas da TV cultura, no Projeto Samba da Hora. O Projeto Samba da hora acontece todas às segundas-feiras há três anos no largo de Piraporinha (atrás da Igreja), e é formado por vários amigos da minha infância e adolescência, como o Samuca, Miltinho, Chuca, Juninho, Petróleo, Charles, Brito, entre outros, por isso foi muito especial pra mim, apresentá-los.
E também porque eles tocam há vinte anos um samba de malandro, em plena segunda-feira. "Quem não gosta de samba..."
Chegando lá foi só alegria, vai vendo o time: Jairo, José neto, Asduba, Cocão, Wil, Xuxa, Waltinho, PC, Soninha, Dona Venância, Márcia, Maria, Falcão, Toni, Marilda, Mexicano, felipe, Glória, Buzo, Karina, Daysi, Sandro, e mais alguns, que no momento me fogem o nome. o Samba da hora é a minha casa. Essa gente é a minha cara.
Parece que ainda ouço cavaquinho e o som batido "na palma da mão" que só quem é, sabe o que é cantar depois de passar quase duas horas dentro do ônibus lotado depois de um dia duro de trabalho. Li outro dia em algum lugar que "que todo buzão tem um pouco de navio negreiro", e acho mesmo que seja isso, por isso para nossa gente é importante celebrar.
E tem mais, lá tinha umas 500 pessoas, ou seja, 500 pessoas, distante da Tv, alheio à novela e vivendo a vida real, cada qual a sua maneira, capítulo por capítulo, um folhetim que a massa sabe que a qualquer momento pode acabar, e a gente nunca sabe se realmente existe cenas do próximo capitulo. Viver a vida meu chapa, sem intervalos comerciais, não tem preço.
Futebol e samba é uma mistura que tem a cara da periferia, quer as pessoas curtam ou não, faz parte da nossa cultura, faz parte do dia-a-dia das pessoas simples e trabalhadoras, que têm nessas duas culturas uma chance de estancar o sangue da veia dura da realidade. Tem que não goste ou critique, mas tem que respeitar esse canto.
Não sou ingênuo, e não acho que a voz do povo é a voz de deus, senão, muitas coisas não estariam do jeito que estão, a miséria, a fome, o desemprego, a violência, mas também não acho que existe um deus na terra que está acima desta voz.
Muitos querem escrever sobre o povo, filmar o povo, encenar o povo, mas poucos querem caminhar com ele, por isso, acho que as arquibancadas, os campos de várzeas e as rodas de samba são tão importantes para se conhecer esse país, essa gente linda e inteligente, que canta suas dores em louvor a uma alegria que parece não dançar no mesmo compasso das suas pernas, e que mesmo sobre escombros da terra arrasada, arruma um tempo para sambar sobre as ruínas.
A Arte não se explica, ou você entende, ou se indentifica. Sambou?




Quem não gosta de samba...

Nas idéias


Toni Nogueira dando uma canja

Samba da Hora

José neto e jairo

Poetas do povo


Xuxa e Will


Se liga no Buzo, na palma da mão

Samba da hora, a rapa da minha infância, que puta emoção!

SARAU CAMINHOS PRETA

Rose, a musa da Cooperifa comanda o Sarau caminhos preta
clique no cartaz para ampliar

FOTO-POESIA DE MARCO PEZÃO


Sunday, May 25, 2008

MARATONA POÉTICA COMEÇOU NO DOMINGO

HIP HOP ARTE EM HELIÓPLIS

Poesia em família, se liga no brilho do sol.

Arte na lata

Fanti em ação

A rapa de São João Clímaco


Poesia no ar

Robson Canto

Carinho da rapaziada

SE LIGA NA PROGRAMAÇÃO DA SEMANA

QUE SEMANA!!!

Povo lindo, povo inteligente,

esta semana não vai ter desculpa para gente não se encontrar, porque é uma das semanas mais agitadas desse ano - estou escrevendo no domingo e já estou a caminho da comunidade Heliópolis (quebrada do Rapin Hood) para participar de um evento "Hip Hop Arte, promovido pela rádio Heliópolis.
Esta semana vou correr com o Alessandro Buzo na Piraporinha para a gravação do programa Manos e Minas da TV cultura, onde ele tem um quadro "Buzão - Circular periférico", e nós vamos gravar na segunda-feira o Projeto Samba da Hora, que rola já algum tempo na quebrada, e é formado pelos meus amigos de infância, Samuca, Miltinho, Petróleo, Chuca, Brito, Juninho, Zueba, e que já estão na estrada há mais de 15 anos, samba de malandro. Vai ser muito bacana poder apresentá-los.
Na terça-feira rola um debate na FNAC Pinheiros sobre como se forma a opinião pública no Brasil. No debate, os jornalistas Luís Nassif, Pedro Dória, o cineasta Mauricio Eça e o vagabundo aqui vão discutir jornalismo e mídias alternativas em geral. Vamos invadir a FNAC e dar o nosso recado. Ah, o meu livro "Colecionador de pedras" tem lá para você adquirir, senão...
Na quarta-feira, o Sarau da Cooperifa especial com a gravação do programa Manos e Minas "Buzão - Circular periférico", bom, quem conhece já sabe, CATARSE!
Na quinta-feira tem o SARAU RAP - POESIA DAS RUAS na Ação educativa, onde apresento um sarau dedicado aos rappers e poetas ligados ao movimento Hip Hop, onde a palavra impera e sobrepõe o ritmo. O último foi louco.
Na sexta-feira tem o PANELAFRO com a gravação do programa Manos e minas e "Buzão - Circular periférico", que é uma das festa mais bonitas de participar. É quando a África é mais latente na Piraporinha. Venha receber este axé.
No sábado tem Sarau da Cooperifa no Sindicato dos Professores, só que ainda não tenho as informações, mas daqui a pouco eu aviso como vai ser.

E aí, vai chegar?

A gente se vê por aí,

Sérgio Vaz
Vagabundo nato


SEGUNDA-FEIRA - SAMBA DA HORA
19hs30
atrás da igreja de piraporinha

TERÇA-FEIRA - FNAC PINHEIROS
2º Debate Jornalirismo






QUARTA-FEIRA - SARAU DA COOPERIFA

21hs - Bar do Zé Batidão


QUINTA-FEIRA SARAU RAP - POESIA DAS RUAS
20hs
Ação Educativa
Rua general Jardim, 660
Sta. Cecília/centro

SEXTA-FEIRA PANELAFRO
Piraporinha

Saturday, May 24, 2008

HIP HOP ARTE NA COMUNIDADE DE HELIÓPOLIS

POVO LINDO, POVO INTELIGENTE,
DOMINGO É NÓIS NA COMUNIDADE HELIÓPOLIS!
Clique no cartaz para ampliar

Thursday, May 22, 2008

O Sarau da Cooperifa e a lua como testemunha

Povo lindo, povo inteligente,
eram mais menos 20hs quando eu ouvi no rádio do carro que o trânsito de São Paulo já passava dos 150km de congestionamento, até aí nada de anormal, eu pensei, afinal era véspera de feriado e o paulistano foge para a praia, ou para o interior, que nada, acho que estava vindo todo mundo para o Sarau da Cooperifa. O Bagulho estava estrumbado de gente. Muitas delas foram viajar depois do sarau, ou deixou para ir quinta de manhã. Fidelidade é foda!
Quem compareceu também foi a Lua, chegou sem avisar, por isso surpreendeu a todos com seu brilho mágico. Mas nem por isso roubou a brisa dos poetas, quem tem brilho natural não precisa disso, quem tem está ligado.
Simplesmente uma noite perfeita: a lua no céu e a gente brilhando na terra. Não é para isso que estamos aqui, para brilhar ? Pois então, assim foi feito. Aliás, não devíamos aceitar menos que isso. Em dia nenhum.
Para todas as estrelas que iluminaram a nossa escuridão,
um beijo, do tamanho do universo.
No mundo da lua,
Sérgio Vaz
Lunático incorrigível
Sarau da Cooperifa e a Lua como testemunha

Ô lugar!

Lu Souza, Rose, Cocão e Jairo no comando desta noite linda


O Futuro

O futuro

É nóis!

Lotado



Guma, Allan e Mavot

O nosso povo


Cocão, Versão popular

A Massa

Jairo e Toni C. sob a lua da Cooperifa

Estar nesta lista é uma honra

Renato Vital

A Entrada do sarau também ferve

Vai um escondidinho aí?

Wednesday, May 21, 2008

SARAU DA COOPERIFA EM VÉSPERA DE FERIADO, VIXE!

Foto: João Wainer
SARAU DA COOPERIFA
Quarta-feira 21hs
Bar do Zé Batidão
Zona sul
Periferia-SP

BRASINHAS DO ESPAÇO

Speed Racer
Povo lindo, povo inteligente,

já está no cinema o filme do desenho mais louco que eu já vi na minha vida: Speed Racer.

Estou até com medo de assistir para não me decepcionar, mas o Augusto assistiu e disse que o bagulho é da hora. Eu tenho todos os episódios do desenho em DVD (não empresto nem para o Augusto que é fã também. Quer uma dica? Tem lá na Comics 24 de maio).
Esse desenho é a cara da minha geração, Márcio, João Hulck, Guina, Adilson (finado), Wilsinho (finado), Ney, Sorrisal, Mi, e uma pá de moleque que se bobear já é até avô. Um tempo que a vida não tinha mistério nenhum, era só correr pela rua e deixar que o sol fazia o resto.
Não assisti ainda porque a Sônia quer assistir também, aí fica me puxando o freio de mão. Ela disse também que era fã, mas quando eu pergunto se ela lembra do episódio do Mamute ela fala: "que mamute?". Derrapou.
Essa época a gente era meio o livro "Capitães de areia" de Jorge Amado, de tanta liberdade que a gente tinha, de tanto lirismo. Quem já leu esse livro? Quem já assistiu Speed Racer?
Tempo que a gente vivia se esfregando nas ladeiras do Jardim Guarujá sentado em carrinho de rolimã disputando corrida, e sentindo a brisa da infância acariciando nossas faces, como beijo de mãe, como abraço de pai.
Teve um tempo em que a vida não doía tanto, pelo menos pra mim. Por um tempo, a dor, por generosidade, fingiu que não me conhecia.
Se curtir, assista o filme,e leia a poesia que eu fiz em homenagem àquela época que está no meu livro "Colecionador de pedras", Global editora, e depois a gente se tromba na Cooperifa para falar sobre isso: Poesia, desenho, Jorge Amado, Infância e o que mais chegar. É isso. O que não pode faltar entre a gente é assunto. Chega de conversa.

Na pista,

Sérgio Vaz

Corredor X

Brasinhas do espaço

Eram criaturas
De um planeta imaginário.
Herméticos neste mundo
Todos se chamavam Speed Racer,
E falavam uma língua estranha
Que os adultos não entendiam.
Vorazes,
Alimentavam-se de sonhos,
Liberdade, vento,
De K-suco e pão com mortadela.
Esses monstrinhos
Queriam dominar a terra.
Chegavam aos montes
Descendo ladeiras,
Pilotando naves exóticas
Feitas de tábua de compensado
E rodinhas de rolimã.
Não fosse o tempo
Teriam dominado o universo.


Sérgio Vaz

2º JORNALIRISMO DEBATE "Como se forma a opinião pública no Brasil"

"Como se forma a opinião pública no Brasil ?
Então, vamos lá comigo dar a nossa opinião".
dia 27 de maio, às 19hs30, na FNAC Pinheiros

Tuesday, May 20, 2008

NEGRO DRAMA WILSON SIMONAL

Para Simoninha e Max de Castro,




Povo lindo, povo inteligente,

talvez muitos dos meus visitantes-jovens-adultos de blog, não conheçam ou nunca ouviram falar do cantor e compositor Wilson Simonal, recentemente a rainha do axé-music-mídia-mercado-megalomaníaca e uma das herdeiras de ACM, painho da máfia do dendê e caudilho mor da nação, Ivete Sangalo, gravou uma música dele, "Sá Marina", lembram?
Era um dos maiores nomes da MPB dos anos sessenta, e se não me engano, o primeiro negro apresentador do Brasil. Ele comandava o programa "Essa noite se improvisa".
Mas todo esse sucesso teve seu preço, ninguém aceitaria um negro com toda aquela banca, pagando de gatão e andando de carro importado impunemente.
Pois um dia saiu em um jornal, "O Pasquim", que ele era dedo-duro da ditadura e que ele entregava todo mundo para o DOPS (polícia da ditadura na época), a partir desse momento foi julgado traidor do movimento musical, então foi esculachado, açoitado e queimado em praça pública por todas as pessoas que o cercavam no meio artístico.
Li outro dia em algum lugar que ele tinha pedido a alguns policias dar um surra no seu contador que estava surrupiando-lhe a grana, aí um deles disse que Simonal era informante da polícia, aí...
Vale pesquisar mais sobre sua história conhecer a sua música, só fiz uma pequena homenagem a ele, e a minha mãe falecida, que tanto o adorava, só isso.
E foi assim que acabaram com carreira promissora de um dos negros mais influentes do país, que pagou com a própria pele, por ter a pele que tinha.
Morreu no ano 2000, e em uma decisão anunciada em 2003 (e de caráter completamente simbólico) a Ordem dos Advogados do Brasil absolveu o cantor Wilson Simonal (1939-2000) da acusação de delação.
A Comissão de Direitos Humanos da OAB examinou documentos (do SNI e da Polícia Federal, registrados na época do regime militar), depoimentos de pessoas que conviveram com Simonal e material jornalístico do começo dos anos 70 para afirmar que não procede a pecha de dedo-duro que foi colada ao cantor. Antes tarde do que nunca.
Wilson Simonal foi um primeiros negro-drama da música, ou um dos mais conhecidos,e como outro negro drama já disse: daria um filme!

O Passado me persegue. A História também.

Simbora,

Sérgio Vaz

E AÍ LEMINSKI?


NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI - EDUARDO ALVES DA COSTA


Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correma ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
Se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

MANOS E MINAS


Monday, May 19, 2008

VOCÊ ESTÁ RINDO DO QUE????

ENQUANTO ELES CAPITALIZAM A REALIDADE
EU SOCIALIZO MEUS SONHOS.
Sérgio Vaz


Depois dizem que a nossa poesia é que é violenta.
Mas aí, resistência é um bagulho que nasce com a gente, não tem como fugir.


10% mais ricos no Brasil detêm 75% da riqueza, diz Ipea



Os 10% mais ricos do país concentram 75,4% da riqueza. É o que aponta o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em um detalhado levantamento sobre as desigualdades no Brasil.
Os dados, obtidos pela Folha Online, serão apresentados pelo presidente do Ipea, Márcio Pochmann, nesta quinta-feira ao CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social). O objetivo, segundo ele, é oferecer elementos para a discussão da reforma tributária, cuja proposta já foi apresentada.
A pesquisa também mostra como é essa concentração em três capitais brasileiras. Em São Paulo, a concentração na mão dos 10% mais ricos é de 73,4%, em Salvador é de 67% e, no Rio, de 62,9%.
Para Pochmann, a injustiça do sistema tributário é uma das responsáveis pelas diferenças. "O dado mostra que o Brasil, a despeito das mudanças políticas, continua sem alterações nas desigualdades estruturais. O rico continua pagando pouco imposto", afirmou.
Apenas para efeito de comparação, ao final do século 18, os 10% mais ricos concentravam 68% da riqueza no Rio de Janeiro --único dado disponível.

"Mesmo com as mudanças no regime político e no padrão de desenvolvimento, a riqueza permanece pessimamente distribuída entre os brasileiros. É um absurdo uma concentração assim", afirma.
A pesquisa do Ipea também mostra o peso da carga tributária entre ricos e pobres, que chegam a pagar até 44,5% mais impostos. Para reduzir as desigualdades, o economista defende que os ricos tenham uma tributação exclusiva.
Pochmann afirmou que um dos caminhos é discutir uma reforma tributária que melhore a cobrança de impostos de acordo com a classe social. "Nenhum país conseguiu acabar com as desigualdades sociais sem uma reforma tributária", afirmou.
A pesquisa do Ipea também mostra um dado inédito. A carga tributária do país, excluindo as transferências de renda e pagamento de juros, cai a 12%, considerada por Pochmann insuficiente para que o Estado cumpra as suas funções.



(KAREN CAMACHO, Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online)

GOG NA COOPERIFA



Povo lindo, povo inteligente,

para quem não sabe a história do GOG com a Cooperifa teve início lá na fábrica em Taboão da Serra, quando e onde tudo começou. Esta também é uma história que estará no livro "Cooperifa, quilombo da poesia" que acabei de escrever para a Aeroplano e deve ter o lançamento previsto para julho.
Além de ser um dos melhores do Rap Nacional GOG também é um dos melhores poeta do país, não só pela rima engajada, mas também pela beleza de suas palavras que ecoam pelas periferia do Brasil.
Este vídeo que eu achei no youtube, e que eu não sei quem gravou, deve ter mais de três anos, porque mostra o bar em uma disposição das mesas separadas, o que hoje já não acontece mais, e a máquina de assar frango que dividia o palco com os poetas. Tudo isso faz parte da nossa história. Tudo isso é Cooperifa.


É fogo no pavio! É tudo nosso!

Abs.

Sérgio Vaz
Poeta da Cooperifa, com muita honra

LEMINSKI

SOBRE POESIA - LEMINSKI


Um avô como exemplo, faço poesia, sem interrupção, desde que me conheço por gente.

Nunca quis ser outra coisa.

Aos 34 anos, acho que tenho direito a alguma opiniões.

Minha poesia aventureira tem um passado de freira e puta.

No ponto de origem, a empolgação pelo legado heleno-latino. Horácio, Ovídio, Catulo. Clareza e saúde mediterrânea.

A descoberta do haiku. Síntese e vazio zen.

O encontro com a poesia concreta, a vanguarda, o espaço, o ideograma, as linguagens industriais.

O impacto de Maiakoviski. Caetano, Gil, tropicália.

A mutação da letra de música popular. O coloquial. O cantabile. Humor/cartum.

Da poesia brasileira, menos.

Drummond, só uma dose simple para saber o barato que dá.

Cabral, por dever do ofício.

Oswald, já muito tarde para alterar rumos.

Com os demais, só contatos didáticos.

Nunca fui muito fanático Fernando Pessoa, de quem gosto mais pelo processo do que pelo do produto que, às vezes, me dá a impressão de mero ardil, saltos ornamentais numa piscina vazia.

Houve tempo em que fiz poesia rica. Mas era um Brasil de tão individada.

Hoje é mais pobre. Mas com menos dívida externa.

Evito a literatura.

É mitologia, ideologia, religião.

Procuro enxergar o texto à luz dos signos, da linguagem, da semiótica.

Poetas me interessam na medida da sua originalidade e coerência estrutural.

Faço questão de não me repetir, nem em sagues nem em soluções.

E sempre tive aversão natural ao surrealismo, pelo metafórico, pelo arbitrário, pelo "profundo", pelo psicológico, pelo típico.

Me deixo enganar às vezes pelo bem-feito e pelo bem acabado.

Mas estou alerta a que as coisas novas costumam pientar em estado acabado, irregular, "errado", discutível, problemático, perigoso, "experimental".

Não é minha inteção fazer poesia voltada radicalmente para a construção, a produção de matrizes novas para uma sensibilidade nova.

No que faço, subsiste um componete acentuado de expressão, de comunicação, portanto. Isso só é possível com um certo teor de retundâncias, de "facilidades", cuja desordem controlo e regulo.

Mas não tenho obsessões, não sou poeta de temas.

Tenho um horror pop a qualquer palavra que obrigue o leitor normal a ir no dicionário.

O resultado deve ser raro, os ingredientes têm de ser simples.

Tem um difícil que é fácil. E um fácil que é muito difícil. Prefiro este. Contra os aparos persas, diria Horácio.João Gilberto é um dos nomes tutelares da minha poesia.Uma poesia básica. Elementar como um abc ou uma tabuada.Tamanho não é documento. No meu modo de ver, a brevidade pertence à essência mesma da poesia.

Detesto poesia dita profunda. Estou cagando e andando para a psicologia.

Não tenho psique. Sou apenas uma besta dos pinheirais.

Na mesa da poesia, prefiro carne sem gordura, os ovos crus, a água na temperatura ambiente, a voz natural.

Poesia tem que me surpreeender. Poesia envolvente e insinuante me cheira a vigarice. Eu vejo logo o truque. Eu quero o susto e o eco do susto.

Criativamente, prefiro a companhia dos programadores visuais e dos músicos. Não consigo aprender nada com escritores.

Poesia, aliás, é território limítrofe entre o verbo e outras artes.

Ficção é literatura. Poesia, não. Um poeta, embora use palavras, está mais próximo de músicos e plásticos do que de ficcionistas que usam, aparentemente, as mesmas palavras que ele.

E mais próximo da fonte da fala.

Os signos com que falamos pertencem a uma família de signos completamente distinta da família dos signos com que escrevemos.

Falamos com ícones. Escrevemos símbolos.

A fala tem valores de entonação, cadência, melodia: é iconica, como no desenhos, a foto, o cartum, a dança, o judô.

A escrita é simbólica, arbitrária, esquisofrênica, repressiva.

O negócio da poesia é ficar brincando nas fronteiras.

95% da poesia que se faz e se publica por aí não tem nem 5% de poesia.

Começo a gostar da poesia 70% paar cima.

Fazem prosa empinhadas em linhas. Se pelo menos fosse boa prosa!

O baixo teor de informação (estética) do texto brasileiro é relativo a nossa condição de nação periférica, obscurantista, colonial, lusa, patriarcal, católica, mais de imitar que de pensar e criar?De qualquer forma, não acho que compactuar com subdesenvolvimento e redundância seja a solução. E voto no 14bis de Dumont para totem da tribo.

Poesia da música popular pode ser inculta (até é bom que seja).

Poesia no papel tem que ser informada.

Os que defendem uma poesia desprevinida esquecem que os grandes poetas do Brasil têm sido intelectuais de amplo saber e múltiplos interesses ( Bandeira, Drummond, Cabral, Murilo, sem falar no Mário).

A única exceção aparente é Oswald. Oswald é outro papo.

Mas penso que execivo amor aos síbolos é amor à morte.

Prefiro a vida, esse signo sempre incompleto.

Poesia, para mim, tem que ser alegria e esperança. O puro júbilo do objeto, esplendor do aqui e do agora. Ou a canção assobiada que ajuda a caminhar nas estradas, na viagem rumo à Utopia.

Cedo me dei conta que poesia não altera porra nenhuma do real histórico.

Quem quer fazer da poesia bandeira de guerra ou tribuna, errou de profissão e escolheu o intrumento inadequado.

Não que a poesia brotar do político ou do social, mais expecíficos. Pode. E até acho deve, num país como esse.

Mas que pinte do modo específico da poesia, no ser da linguagem.

Querem transportar a gravidade dos temas que abordamos (o perário, a miséria, a fome, a desgraça) para sua poesia. Mas um poema convencional continua medíocre mesmo que invista contra toda a opressão do mundo. Fenômeno mais de sociologia da literatura que de poesia, a imensa maioria dos poemas sociais que se vê por aí será um dia apenas índeces do estado de espírito de nossas elites escrevedoras nesta quadra feia e triste de nossa história.

Que ficou da imensa literatura e poesia abolicionista e replubicana que tomou conta do Brasil no final do Império?A poesia fala uma lígua. A História, outra.

Traduções são possíveis mas sujeitas ao estatuto de todas as traduções: infidelidades, erros, equívocos, más interpretações.

A poesia retundante, banal, presa a veículos convencionais, é mais provável. E vai prevalecer quantitativamente, sempre.

Mas é totalitarismo querer que todos façam a mesma coisa.

Ótimo que façam coisas extremas, estranhas, difíceis.

Maravilha que o pessoal todo admitisse que algumas pessoas façam coias diferentes, especiais, fora do igual.

O que a gente vê é uma intolerância monolítica dos setors mais politizados e progressistas (pelo menos, da boca para fora) em relação aos criadores mais independentes e dissoantes, como Caetano e Gil.

Não tem um jeito só de ser radical.

Quem não teme, não oprime. Nem reprime.

Aqueles que vivem legislando "o poeta deve", "o poeta não pode", 'isso não é poesia", "poesia tem de ser assim ou assado", nada entendem de poesia e querem apanhar o vento com a rede de caçar borboletas.

A poesia, vida, liguagem viva, vaza todas as frestas.



É disso que o povo gosta.


Paulo Leminski

1979

Sunday, May 18, 2008

Estrelinha Futebeol Clube

Povo lindo, povo inteligente,
ontem fui no parque ver o Palmeiras dar um sacode no Inter-Rs, e toda vez que eu vou ao estádio eu fico pensando na importância que o futebol sempre teve na minha vida.
Puxa, sou de uma época em que todos os meninos queria ser jogadores de futebol, muitos, além de mim, ainda querem. E olha que não tinha nada ver com grana não, era somente pela magia. Não bota uma fé? Então se joga para outro blog que eu não recuar o meu time.
A idéia é quente, basta perguntar para os marmajos que nem eu que estão na linha dos quarenta, ou mais, de idade. A Várzea é uma prova disso. Quem joga tá ligado do que eu estou falando.
Abaixo tem um texto que eu fiz sobre futebol, e que está no meu novo livro que tem o nome provisório de "Literatura, pão e poesia" que lanço em outubro, no aniversário da Cooperifa.
Eu que nunca fui craque em nada, já corri muito por aí atrás de bola, e acabei sendo escalado pelo time da poesia, e o time que eu jogo bate um bolão, e se não ganha na bola ganha na idéia, empate, nem pensar!
Dizem que o futebol é o ópio do povo, então se eu sou o povo, adoro ópio.

De canela,

Sérgio Vaz
Volante da Cooperifa


*A Sônia não foi obrigada a usar a camisa.

Estrelinha Futebol Clube - Sérgio Vaz


No meu tempo de moleque ninguém tinha uma profissão em mente para se apegar ao futuro, todos, sem exceção queriam ser jogadores de futebol. E olha que naquela época bem dava tanto dinheiro assim. Mas não sei se pelo romantismo, pela magia ou simplesmente pela falta de perspectiva, sei lá, mas todos nós queríamos ser jogadores de futebol. Eu apesar da idade confesso que ainda quero.
Mas tempo passou, o Morumbi e o Maracana envelheceram em mim e a memória, este estádio vazio, toma dribles maravilhosos da lembrança, e tudo que me lembro foram os gols perdidos. Perdi muitos gols cara a cara com o goleiro, por isso não sou jogador, por isso não sou doutor. Tomei muita vaia do destino.
Não lembro de nenhum amigo desta época que tenha sequer passado na peneira de algum time profissional, poucos viraram doutores e uns tantos s não lerão este artigo, se é que vocês me entendem.
A Violência sempre fez muitas faltas no nosso jogo, e quase todas por trás. Dói só de lembrar.
Apesar dos intervalos, lembro-me de partidas inesquecíveis, dessas que começavam pela manhã e seguiam tortuosas pela tarde, interrompidas apenas pelo almoço e o café das três.
São momentos inenarráveis passados com estes parceiros de time, esses meninos sábios e imortais, sem presente e sem futuro deslizando os pés descalços pelo chão.
Hoje em dia, aquele campinho de terra que esculpimos com as nossas próprias mãos é um grande cemitério, e muitos deles estão ali, enterrados com seus sonhos, antes mesmo do jogo acabar.
Outros, por desrespeitarem as regras cometeram penaltis desnecessários (?), e, por ordem dos juízes, foram mais cedo para o chuveiro.
Para minha tristeza muitos ainda continuam a cometer faltas, sem medo de tomar cartões vermelhos ou amarelos, sem se importar com a força do adversário sem se importar com a cor da camisa, sem se importar com os derrotados, importando apenas vencer, vencer a qualquer preço.
Às vezes, quando a dor sai do vestiário e a saudade entra em campo, faço um minuto de silêncio, deixo uma lágrima rolar e jogo por eles a prorrogação.

O GRINGO MANDA SEU RECADO À COOPERIFA

Raphi recebendo o prêmio Cooperifa

Queridos Cooperiféricos e queridas Cooperiféricas,

Já faz um tempão que eu penso em escrever esse email. Penso nele desde o final de dezembro do ano passado, quando eu cheguei no Recife já com saudades da São Paulo. Demorou, é claro...fiquei bastante destraido com o Carnaval d'aqui, com as praias, com as minhas aulas de rabeca, em fim, com todas as coisas novas que eu conheci por aqui. Mesmo com tanta novidade, fico com muitas saudades de Sampa, e principalmente, da Cooperifa. Toda quarta-feira aqui em Olinda, tem um forró pe-de-serra, e quase a cidade inteira (e grande parte do Recife) aparece lá. É legal, mas não pode comparar com o sarau daí. As quartas-feiras no bar do Seu Zé são transendentes.
Morando aqui, é marcante ver como a reputação da Cooperifa já se espalhou pelo país. Muitos grupos e artistas que eu conheci aqui em Pernambuco já ouviram falar do movimento, e muitos são loucos para conhecer melhor. Tem pelo menos uma duzia de pessoas querendo trazer o sarau da Cooperifa para cá...vamos ver se rolar, né?
Não tenho o email de todo mundo do sarau, mas queria agradecer com todo o coração todo mundo que me fez sentir tão bem-vindo aí em Sampa. "Quando eu cheguei por aí, eu nada entendi," mas a Cooperifa foi a introdução mais profunda que eu já tinha de qualquer cidade em que eu já vivi. Quanto mais tempo eu passo fora, melhor eu entendo a força e a grandeza do sarau, e do movimento. E agradeco cada vez mais a oportunidade de ter entrado no sarau, de ter conhecido um povo tão lindo e tão inteligente.
Acabei, hoje mesmo, de fechar um artigo sobre a Cooperifa. O artigo faz parte da bolsa de pesquisa que está me apoiando aqui no Brasil. Escrevi em inglês, é claro, mas já fiz a tradução básica, no meu terrível português escrito, que estou revizando com uma amiga d'aqui. Em algumas semanas, a versão portuguêsa já estará pronto, e vou mandar. Quando for publicado a versão inglêsa, com fotos e tudo, também vou avisar (vai aparecer no site norte-americano http://www.icwa.org/, que já mostra alguns trabalhos meus, junto com uma das piores fotos já tirado de mim na minha vida).
Escrevendo o artigo, fiquei impressionado de novo com o papel tão vital que a Cooperifa assume em São Paulo. Reconheci um pouco mais a tremenda diferenca que ela faz na cidade, democratizando a poesia e até mesmo a paisagem urbana, revelando outras possibilidades artisticas e pessoais. Fiquei impressionado também com a genorosidade e o carinho dos integrantes. Eu já tinha participado em outros saraus, aqui no Brasil e lá em Gringolândia, e em varios grupos de produção artística. Muitos deles são bem legais, mas realmente não conheço nada com a presença e a importância da Cooperifa. Estou muito grato a ter tido a chance de conhecer e fazer parte desse movimento incrível. Através do sarau no bar do Zé Batidão, eu cresci como artísta e como pessoa, tanto como poeta quanto como cidadão do mundo. Não posso agradecer bastante pela diferença que Cooperifa me fez...mando um abração bem forte e um simples beijo gringo e prometo que, quando aparecer de novo na terra da garoa, vou direto pro sarau da Cooperifa.
Obrigado!
Muita paz, muita força, e tudo de bom,


O gringo que lembra


PS: Peço desculpas para todos os meus erros na sua lingua tão bonita. Até daria certo traduzir a carta, mas queria falar direitamente, sem tradução, com meu sotaque escrito. "Eu sou assim..."




Todo mundo tem o direito de viver cantando.

- Cartola

Friday, May 16, 2008

SARAU DA COOPERIFA

Foto: João Wainer
Povo lindo, povo inteligente,

o João Wainer me mandou algumas fotos que ele tirou do Sarau da Cooperifa, e entre elas eu destaquei essa que aí está, e não acho que essa seja a mais bonita que ele tirou - e não são poucas as bonitas-, mas é a mais significativa pra mim, por vários aspectos. Não gosto dela pela qualidade, mas pela quantidade.
Essa foto é a síntese do que se tornou a Poesia na periferia, você não acha? Olha bem, qualquer pessoas desavisada jamais diria que essa foto se trata de um sarau de poesia, ou que esse lugar ficasse longe do centro de uma cidade, e de uma das violentas do país, São Paulo.
Talvez seja por isso que alguns intelectuais não nos perdoam, porque dessacralizamos a poesia, e a dividimos todas as quartas-feira como o milagre do pão, ao milagre do povo -e para alguns sábios endinheirados, o povo é apenas um subproduto da humanidade desprovido de sabedoria. E disso é feito o nosso povo, de pequenos milagres que a literatura extrai do nosso sangue, do nosso suor e das nossas lágrimas, e que a gente expõe generosamente na folha em branco.
A nossa literatura tem som, é possível escutar o passo das pessoas caminhando junto, tem luz, por isso agora a gente enxerga melhor, tem um hálito inconfundível como café da manhã que exala do copo de massa de tomate ao sair para o trabalho.
Essa fotografia é tudo isso ao mesmo tempo, presa em um só instante. E quando eu a vejo é como se eu visse as pessoas se movimentando do lado de fora, é como se eu escutasse o burburinho da nossa família comentando a poesia que acabou de ser dita, é tipo sentir o cheiro do escondidinho de carne-seca que só o Zé sabe fazer, é como se eu falasse"é tudo nosso" para cada uma delas, é como se fosse abraço de amigo nos momentos de dificuldades.
Esse poema fotográfico do João Wainer devia ser visto em todas as quebradas do Brasil, e eu só acrescentaria somente uma frase: É TUDO NOSSO!
Valeu João! Valeu Cooperifa! Tamo junto!

"...quem sabe faz a hora, não espera acontecer." G.V.

Apesar de tudo e de todos, estamos bem na foto.
Coração em chamas,

Sérgio Vaz

Poeta Augusto homenageia a Cooperifa

SARAU DA COOPERIFA
Quarta feira
dia de missa
Cooperifa
Minha nêga
me beija
Pergunta
"cê vai na igreja?"
Respondo
"of course, my love"
Ponho fé na palavra
e é ela que me move!


AUGUSTO

Thursday, May 15, 2008

VEM AÍ: LITERATURA, PÃO E POESIA (EM BREVE)

Lágrimas de crocodilo e outros bichos (Sérgio Vaz)

Estou farto dos leões de zoológicos. Farto desta fauna interminável de bichos soltos, com a mente enjaulada, que se espalham pelo país. Uns bestas feras, outros, feras bestas. Não há trocadilho que salve essa gente.
No Brasil todo mundo é leão, é tigre, é onça, todos rugem, mas ninguém morde ninguém.
Todo mundo na selva sabe quem são predadores e onde dormem os inimigos, mas as garras finas e elegantes vão sempre desfilar seus óculos escuros no palco fino do açougue que vende carne de primeira. Tamanduá tomando conta do formigueiro.
Outro dia um abutre –ô bicho ruim!-, disse que os esquilos tinham que serem enjaulados logo que nascessem. E que a culpa toda não era das hienas que riam sobre a carniça, mas das coelhas que não paravam de parir. O discurso foi muito aplaudido pelas raposas.
Na floresta miúda, enquanto calangos e micos-leões-dourados disputavam migalhas para não extinguir, uma cobra, de terno e gravata, espreitava um papagaio vestido com a camiseta da águia americana. Nada mais animal. Com olhos de lince, a pantera assistia tudo vestindo uma boina a Che Guevara. O silêncio do pântano mata mais que o grito do jardim.
O Sapo de barba prometeu a promessa do tucano empolado, será? Sei não, esses bichos são muitos esquisitos...
Só sei que os pintinhos estão com fome, e, no galinheiro, as galinhas mortas estão assistindo briga de galo, já que o milho não dá pra todo mundo. Pra piorar, os porcos não querem nem saber, só se preocupam em se lambuzar na lavagem.
Do outro lado da mata, paradoxo total, todo mundo quer abraçar o Maracanã num país cheio de bicho abandonado, carente de abraços.
Sempre que morre um canarinho aparece um pavão com lágrimas de crocodilo para decorar o velório alheio. Pardal não canta, por isso morre em silêncio.
Outro dia um falcão segurando uma AR15 disse: “se morre um, nasce outro em seu lugar”. Só o burro não entendeu.
As antas também não entenderam que os bezerros são educados no semáforo porque os bois estão mamando livremente nas tetas da vaca.
Uma caneta na mão de um lobo é tão mortal quanto um 38 na mão de outro lobo. Pena de morte para o lobo de caneta?
-Justiça! Grita o gado a caminho do matadouro.
Infelizmente nascemos com uma jaula no coração. Por isso, latimos como cães, mas agimos como frangos.

O GUERREIRO SACOLINHA AGITA A LITERATURA EM SUZANO

maio/junho – 2008

16/5 – 9h


2º Encontro de Leitura e Biblioteca Pública


A Secretaria de Educação e Cultura do município de São Bernardo do Campo convida para este grande evento. Para este dia foi convidado o escritor Sacolinha para discutir sobre o tema proposto.


Local: Centro Cultural Antônia Marçon Bonício – Av. João Firmino, 900 –


B. AssunçãoInformações: (11) 4348-1000


GRATUITO



Sarau nas Escolas


A Associação Cultural Literatura no Brasil apresenta o seu sarau em escolas, asilos, clínicas de recuperação, livrarias e sebos durante todo o mês.


Informações: (11) 7615-4394 – Francis Gomes



20/5 – 20h


Entremeio Literário leva o escritor Sacolinha à Mogi das Cruzes


O grupo Entremeio Literário é um coletivo que promove um encontro todas as terças-feiras. No próximo encontro teremos o escritor Sacolinha falando de sua Trajetória Literária.


Local: Casarão do Carmo – Mogi das CruzesGRATUITO



27/5 – 20h


Trocando Idéias


Atividade da Associação Cultural Literatura no Brasil que tem como objetivo promover o debate à cerca do livro e do autor.


Livro do mês: São Bernardo – Graciliano Ramos


Facilitador: Sacolinha, escritor.


Realização: Associação Cultural Literatura no Brasil


Local: Centro Cultural de Suzano, Rua Benjamin Constant, 682 – Centro – Suzano


Informações: (11) 4747-4180


GRATUITO



28/5 – 19h


Trajetória Literária com o escritor Marcelo Rubens Paiva


Este é um projeto que traz para a cidade escritores nacionalmente conhecidos para falar de sua trajetória como escritor.


Realização: Associação Cultural Literatura no Brasil e Prefeitura de Suzano


Local: Teatro Municipal


Dr. Armando de Ré, Rua Gal. Francisco Glicério, 1354 – Centro – Suzano.


Informações: (11) 4747-4180


GRATUITO



Junho14/6 – 20h


Pavio da Cultura


Todos os segundos sábados de cada mês, músicos, atores, escritores, poetas, dançarinos e cineastas se reúnem para apresentar seus trabalhos neste sarau.


O homenageado dessa vez é o escritor Carlos Drummond de Andrade.


Realização: Associação Cultural Literatura no Brasil e Prefeitura de Suzano


Local: Centro Cultural de Suzano, Rua Benjamin Constant, 682 – Centro – SuzanoInformações: (11) 4747-4180


GRATUITO



28/6 – 19h


Pavio Erótico + Lançamento do livro Amor Lúbrico


Neste dia haverá diversas apresentações voltadas à temática do erotismo. Será lançado o livro Amor Lúbrico – textos para serem lidos na cama, que traz os 20 melhores textos do 1º Concurso de Literatura Erótica de Suzano, além da distribuição de preservativos, informações sobre DST’s e sorteio de kits eróticos.


Realização: Associação Cultural Literatura no Brasil e Prefeitura de Suzano


Local: Centro Cultural de Suzano, Rua Benjamin Constant, 682 – Centro – Suzano


Informações: (11) 4747-4180


GRATUITO


Inscrições para o 4º Concurso Literário de Suzano – Edição NacionalEstão abertas até o dia 24 de junho as inscrições para o 4º Concurso Literário de Suzano. Haverá premiação em dinheiro e os 20 melhores textos serão publicados na revista Trajetória Literária nº 4.


Para saber mais sobre este concurso, retire o regulamento no site: www.suzano.sp.gov.br/agendacultural ou no blog http://www.literaturanobrasil.blogspot.com/Realização: Associação Cultural Literatura no BrasilCo-realização: Prefeitura de SuzanoPatrocínio: PETROBRASGRATUITO


Arte na RuaTodos os sábados, das 10h às 16h as Associações de Artistas Plásticos de Suzano e Literatura no Brasil expõem quadros e livros no calçadão do Centro Cultural de Suzano para aquisições.Local: Calçada do Centro Cultural de Suzano, Rua Benjamin Constant, 682 – Centro – Suzano


Informações: (11) 4747-4180

Wednesday, May 14, 2008

LIBERDADE!

Martin Luther King
QUE A PELE ESCURA
NÃO SEJA ESCUDO PARA OS COVARDES
QUE HABITAM A SENZALA DO SILÊNCIO.
PORQUE NASCER NEGRO É CONSEQUÊNCIA
SER, É CONSCIÊNCIA.
SÉRGIO VAZ

SARAU DA COOPERIFA

foto: João Wainer
Clique na foto para ampliar a catarse
SARAU DA COOPERIFA

Quarta-feira

21HS

Bar do Zé Batidão

Tuesday, May 13, 2008

MANO BROW NA COOPERIFA

Povo lindo, povo inteligente,

fuçando no youtube à procura de alguma coisa da Cooperifa encontrei esse vídeo do Mano Brow recebendo o 1º Prêmio Cooperifa/2006, que faz parte do DVD 100% Favela. Puxa, nesse dia acho que mais de mil pessoas passaram por lá, aí então, resolvi dividir com vocês esse momento de festa no bar do Zé Batidão.
Atenção, não fui eu quem copiou do DVD e coloquei no youtube, por isso está com uma imagem ruim, mas dá para sentir como foi a festa do nosso 1º Prêmio.
Achei legal colocar o vídeo porque estes dois fatos, Mano Brow e o prêmio Cooperifa, fazem parte da história da Cooperifa, contada por mim no livro "Cooperifa, quilombo da poesia", que sai em breve por aí, pela Aeroplano.
Até o lançamento livro vou contando, meio preguiçosamente, fatos da nossa história, onde eu falo de pessoas e fatos que contribuiram para o nosso movimento ser o que é, com qualidades e defeitos.
O Prêmio Cooperifa é um presente para todos aqueles que direta ou indiretamente contribuem com a periferia, mas não deixa de ser um prêmio polêmico, pois a gente faz uma votação com com a coordenadoria e a gente sempre esquece alguém, ai...

Estamos aprendendo a fazer, por isso o povo tem que dar um desconto.

Quer saber? O clima está para

Mil trutas, zero tretas. É tudo nosso!

Abs.

Sérgio Vaz


HAMILTON BORGES E OS 7 PECADOS CAPITAIS

Os 7 pecados Capitais – na Segurança Pública da Bahia


Hamilton Borges Walê*


Mais um jovem com sonhos e um belo futuro abatido em Salvador. Dessa vez na comunidade de São Cristóvão, conhecida como Planeta dos Macacos não por acaso, mas pelo seu contingente populacional negro.
Os negros são mortos como insetos e a cada feriado ou final de semana as estatísticas parecem que nos desafiam a alguma ação. Parece que são os números que nos cobram.
Temos tabulado tantos corpos que já perdemos as contas.
A mãe de Diego de Jesus Sampaio, 17 anos, nos recebeu em sua casa. Reuniu as forças que podia e nos pediu justiça, para que lutemos, para que outra mãe não chore como ela.
Atravessamos a cidade em meio a uma chuva torrencial, pouco preocupados com a epidemia de dengue que nos ameaça tanto quanto a violência, saltamos os buracos e os esgotos a céu aberto, tínhamos que cumprir uma missão quase inútil dada a gravidade dessa outra epidemia que nos assola com farda de policia e distintivo oficial.
Oferecemo-nos para repercutir, denunciar, gritar e articular uma reação pela cidade.
Diego foi morto covardemente, depois de uma sessão de tortura. Foi alvejado várias vezes. O corpo foi conduzido por seu algoz até uma guarnição policial. Seus documentos foram destruídos e,sob a alegação de que ele era bandido, foi mandado como indigente ao hospital.
Seu algoz foi blindado pela policia. Comerciante já conhecido por suas ações de vigilante e crimes confessos do qual foi liberado pela justiça. Mais uma vez um crime motivado pelo ódio racial. Diego era estudante, tem família, era surfista e lutou horas no hospital pela sua vida.
Exigimos do governador que dê respostas a mais uma mãe que se debruça sobre o cadáver de seu filho adolescente e reflita sobre os sete pecados que têm sido cometidos pelo seu governo no trato com a segurança pública, quais sejam:

1- A Ira da policia nos bairros populares de maioria negra. A criminalização de populações inteiras submetidas a constrangimento, atos de violência, desrespeito e morte. Nada sugere uma suspensão dos atos arbitrários. Os fatos dão prova de que tudo vai piorar.

2- A soberba dos governantes que não dialogam com a população e apresentam planos mirabolantes para nossa segurança sem nos consultar. Como o programa Nacional de Segurança Publica com Cidadania, que para nós não passa de um Data Show que investe mais recursos em repressão do que em prevenção e tem tido o efeito de calar a boca de muita gente que poderia se pronunciar ante essa guerra que ceifa nossas vidas.

3- A avareza que impede muitas ONGs de se pronunciarem para não perder os vultosos recursos que se oferecem a cada cadáver que tomba de nosso lado da ponte. São os projetos para carentes e os intermináveis debates, seminários e encontros que se promovem em hotéis de luxo, onde se pratica...

4- ... a gula: conversam muito e vão para os coquetéis oferecidos com muito luxo e pompa deixando muita gente boa empanturrada e satisfeita, sentindo-se importante por que, de tempos em tempos, alguém vai para a televisão dizer que os negros estão fazendo algum progresso num governo democrático e popular, maquiando cinicamente os dados de nossa desgraça cotidiana

5- Luxúria: "Lúdico, Lúgubre e Luxurioso". Segundo o jornalista Dr. Fernando Conceição, estes são os três “eles” que nos etiquetam. Assim somos vistos pela elite tacanha e neocolonialista brasileira. Como lúdicos, divertidos, que podem elevar as divisas e arrecadações cantando, dançando e até celebrando o turismo étnico baiano. Somos todos coletivamente "Lúgubres", monstruosamente perigosos, insanamente bárbaros e nos matamos enquanto nos embriagamos nas favelas; e somos "Luxuriosos" porque sexualmente desregrados, com bundas oferecidas às fantasias de europeus ávidos por sexo.

6- A vaidade tem sido a tônica, o motor e a marca dessa segurança que em nada mudou nessa nova gestão. Mantém os mesmos quadros da polícia , muitos envolvidos com a tortura e a violência, citados em CPIs . Mais fortes em seus cargos de comando mandando praças e agentes para fazer o trabalho sujo, reproduzindo a lógica escravocrata de nos matarmos para ter "status" com o senhor. É um Narciso que se acha belo, mas com a mesma imagem de 16 anos atrás. É o que pensamos e vivemos nas vilas , favelas e presídios. Nada mudou.
7- Preguiça é o mal que tem afetado muita gente boa que lutou a nosso lado. Pessoas em quem apostamos nossas esperanças e agora se calam entre os senhores da Corte, assistindo ao extermínio de seu próprio povo; ou mesmo covardia, que não é exatamente um pecado capital cunhado no Vaticano, mas merece pena.
E, por fim, o silêncio que nos ronda já faz tempo, e é perigoso para um projeto do ponto de vista dos negros para o Brasil
A Mãe de Diego pede justiça e nós nos apresentamos com o que temos. A alma de Diego se junta às almas de Edvandro Pereira, Clodoaldo Souza, Aurina, Djair, Ricardo e tantos outros tombados na guerra injusta.
Hoje (03 de maio),às 16 horas, nós o sepultaremos e seu corpo será coberto por lágrimas e esperança. É tudo que nos resta, por hora.

*Militante /Poeta

Sunday, May 11, 2008

COLECIONADOR DE PEDRAS - PORÉM



Porém


Queria ter vivido melhor,
Porém a mediocridade sempre me foi farta e generosa
Nos caminhos que escolhi para viver.
Queria ter sido mais alegre,
Porém a tristeza sempre foi companheira fiel
Nos dias intermináveis de abandono.
Queria ter amado mais as pessoas que conheci
Ou que fingi conhecer,
Porém na maioria das vezes, eu também não me conhecia.
Queria ter andado mais livre,
Porém, algemado à ignorância, perdi muito tempo
Tentando voar sem sequer saber andar.
Queria ter lido mais livros,
Porém, analfabeto de ousadia, passei muitos anos
Enxergando pelos olhos adormecido de outras pessoas.
Também queria ter escritos mais poemas
Do que bilhetes pedindo desculpas,
Porém, as palavras sempre me vieram como culpa
E quase nunca como estrelas.
Queria ter roubado mais beijos e abraços
Das meninas que andavam desprotegidas,
Protegidas pela magia da infância,
Porém, cresci muito cedo, e a timidez sempre me foi
Uma lei muito severa a ser cumprida.
Queria ter pensado menos no futuro,
Porém, o passado simples nunca foi o melhor presente
E a eternidade sempre me pareceu coisa de gente que tem preguiça de viver.
Queria ter sido um homem mais humilde
Porém, a vaidade e a ganância sempre me cercaram
De mimos e coisas que até hoje não sei para que serviram.
Queria ter pregado mais a paz,
Porém, como um covarde, gastei muita munição tentando atingir amigos e desconhecidos que não usavam coletes à prova de balas nem blindados no coração.
Queria ter sido mais forte,
Porém rir dos vencidos e bajular os mais ricos
Sempre me pareceu o caminho mais curto
Para o esconderijo secreto das minhas fraquezas.
Queria ter dito mais a verdade,
Porém a mentira sempre foi moeda de troca
Para comprar o respeito e a admiração das pessoas fúteis
De almas vazias.
Queria que o mundo fosse mais justo
Porém, avarento de nascença, fui o primeiro a esconder o sol na palma da mão, antes que o vizinho o fizesse.
E mesquinho por vocação escondi as noites com lua
Para que os poetas não a cortejassem.
Queria ter dito mais besteiras,
Porém fui desses idiotas amantes das proparoxítonas
E sujeito oculto nos bate-papos de botecos de esquinas,
Onde a vida não acontece por decreto.
Queria ter colhido mais flores,
Porém o medo de espinhos afugentou a primavera.
E outono que sempre fui,
plantei inverno quando a terra pedia verão.
Hoje queria ter acordado mais cedo,
Porém temo que pra mim
Seja tarde demais.



Sérgio Vaz

BECO DA PALAVRA

AVISO AOS NAVEGANTES DA LITERATURA



VEM AÍ:
BECO DA PALAVRA.
Um novo espaço para a literatura.
Um poeta.
Bate-papo
com
Convidados especiais.
Literatura,
Poesia,
Cultura e arte.
Debate
e
Informação.
Ao vivo,
na quebrada,
Em breve!
*Vai valer como horas de estágio para estudantes

COLECIONADOR DE PEDRAS


NAS LIVRARIAS DO PAÍS

COOPERIFA, QUILOMBO DA POESIA

Jornal da Cooperifa/2004

Povo lindo, povo inteligente,

acabei de escrever o livro encomendado pela editora Tramas urbanas "Cooperifa, quilombo da poesia", que é um pouco da minha biografia poética até chegar na criação da Cooperifa, na fábrica em Taboão da Serra, em fevereiro de 2001, e que vai até o último "Poesia no ar" dia 30 de abril.
O livro começa na periferia dos anos 70, onde praticamente vivíamos numa ilha chamada Piraporinha, e que quando íamos ao centro, a gente falava: "eu fui na cidade."
E sobre essa gente que ajudou a construir São Paulo, mas que passou a vida sem casa própria, sem quintal para criar os filhos, e que a maioria desses meninos foram adotados pelas ruas sem asfalto. E muito deles engolidos pela violência delas.
O Livro não trata de coisas da vida pessoal e nem é uma máquina de lavar roupa suja, é apenas um registro de um tempo que não descansa na memória, uma fotografia com cheiro de naftalina, que se eu não contasse, outro iria contar, ou talvez, ninguém o fizesse.
Bom, também nem precisa dizer que é um livro chapa-branca, eu é que não ia falar mal de mim nem das pessoas que ajudaram a construir esse movimento chamado Cooperifa, porque isso os nossos críticos já fazem muito bem.
Foram dois meses muito difíceis de aguentar, primeiro eu não estava preparado para escrever este livro , e também porque que estava preparando o meu outro livro de artigos, crônicas e contos, que coisas que publico nos jornais e no meu blog, que vou começar a trabalhar agora, depois do "Rastilho da pólvora 2" que sai em junho/julho. Pois é, se a gente quer aprender, tem que praticar.
Estava com muitas coisas em atraso: livros, filmes, ceva com os amigos, futebol, rolê na quebrada, samba, convites, saraus, shows e várias coisas que eu amo fazer, e que faz da periferia um lugar especial para viver. E que faz de mim, para o bem ou para o mal, ser o que sou.
Estou precisando oxigenar o cérebro para dar um brilho no sorriso e um afago no coração, sabe aonde tem um lugar assim pra gente se ver? Liga eu. Liga nóis!
Estou cheio de esperanças:
Um sol pra mim, outro pra você!
Muito amor,
Sérgio Vaz

Saturday, May 10, 2008

PARA TODAS AS MÃES DESTE MUNDO, E DO OUTRO TAMBÉM.

P/ minha mãe (in memorian).
Maria das dores

Filha de Saturnina
Maria nasceu em Ladainha,
No intestino de Minas,
Quase Bahia.
O nome Maria
Quem deu foi o pai,
Seu Firmino.
Das Dores,
Sobrenome da agonia
Quem lhe deu
Foi o destino.
Na cidade grande
Vendeu cosméticos,
Roupas e sapatos.
Varreu chão, lavou pratos,
Mas nunca foi domesticada.
Sorria
Por desobediência
Por falta de instrução.
Por alegria?
Só se fosse descuido do coração.
Sob o disfarce
De mulher maravilha
Morreu sem avisar.
Frágil,
Mas sem implorar.
Feito flor que rasteja,
mas que a primavera
não pode humilhar.

Sérgio Vaz

Thursday, May 08, 2008

DIA DAS MÃES

Rose, Tida e Sônia



De todos os hinos
Entoados em louvor às revoluções
Nos campos de batalhas,
Nenhum, por mais belo que seja,
Tem a força das canções de ninar
Cantada no colo das mães.


Sérgio Vaz

FEIRA PRETA


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SARAU DA COOPERIFA, Ô LUGAR !!!!!

Povo lindo, povo inteligente,

o sarau da Cooperifa de ontem foi de assistir de joelhos e de mãos dadas. Ou com as mãos espalmadas apontadas para o céu.
Nem o frio foi páreo para nós, o calor que emanava dos nossos corações era capaz de derreter qualquer geleira que tentasse se aproximar. Que frio que nada, dava para ver a faisca saindo dos olhos do povo.
Ontem foi um dos saraus mais nervosos desse ano, um poema mais bravo que o outro, um poema mais doce que o outro, a palavra foi respeitada como deve ser, pura, sem máscaras.
E se já não bastasse o time da Cooperifa que estava com a língua afiada, sugando o silêncio maravilhoso da comunidade, Hamilton Borges-BA chega de surpresa no nosso Quilombo. Aí nem queiram imaginar como foi a noite. Hamilton é parceiro de Nelson Maca e é um dos maiores ativista negro/periférico deste país. Sem palavras.
Sua apresentação poética foi aplaudida de pé, aliás, a generosidade dos aplausos da comunidade, mais parecia um cobertor de lã aquecendo nossos corpos. Que noite! Que noite!
Ao final nos despedimos do poeta Tadeu Lopes que está indo morar em Portugal. Suas palavras arrancaram lágrimas de quase todos os amigos que ele vai deixar por aqui. Uma das coisas mais importantes que ele disse foi sobre a importância da família Cooperifa na vida dele.
Foi emoção demais para uma só noite. Boa viagem poeta, até daqui a pouco.
Depois de tanto tempo longe não via a hora de retomar as atividades do blog, já estava com muitas saudades de vocês.

*Ontem foi a estréia do programa Manos e minas na Tv cultura, apresentado pelo Rapin Hood, e com participação do Alessandro Buzo e do Ferréz, como não tive tempo para falar sobre isso, vou fazer uma matéria especial esta semana. Boa sorte para eles!

Coração em chamas,

Sérgio Vaz

Wednesday, May 07, 2008

ESCRITORES DA LIBERDADE

ESCRITORES DA LIBERDADE - Sérgio Vaz


Depois de muito tempo longe de tudo e de todos, por conta do livro da Cooperifa que eu estava escrevendo -acabei de escrever, mas depois eu falo disso-, a primeira coisa que cai em minhas mãos é o filme "Escritores da liberdade" que eu ganhei ontem de uma professora na escola onde eu fui dar oficina de poesia. Fiquei feliz por dois motivos, primeiro porque adoro cinema, mas adorar de adorar mesmo, e não é papo furado ou idéia para agradar em mesa de barzinho, sou do tipo que coleciona, e se liga na história e tal, e também gosto de um monte de filmes e de um monte de lugares. Sempre achei que na periferia devia ter um cine-clube para a gente assistir uns filmes que não passam no cinema ou na tv, tipo Machuca, Sacco e Vanzetti, Conta comigo, Jules and Jim, O Cangaceiro, Lúcio Flávio, El Cid, o Carteiro e o poeta, Um dia de Cão, Touro Indomável, e mais uma infinidade de clássicos cinematográficos tão importantes quanto os clássicos da literatura.E segundo porque todo mundo que já tinha assistido estava me recomendando, porque achava que de alguma forma eu iria me identificar com a história. Acertaram.
Eu estava resistindo, porque acho que esse tipo de filme, depois de "Ao mestre com carinho" com Sidney Pottier, virou meio clichê. É. Essa história do professor bonzinho entrando na vida de adolescentes problemáticos, de comunidades problemáticas... Mas aceitei assistir porque é sobre uma história real na cidade de Los Angeles, no turbulento início dos anos 90, pós Rodney King, lembram?
E Também porque há dois anos estou fazendo os saraus e oficinas nas escolas da quebrada e que poderia sugar alguma coisa para levar para os alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Ah, também porque curto a Hilary Swank (menina de ouro), ela é a dentuça mais charmosa que eu conheço.Quando o filme terminou, eu pensei: “mas não é que o filme é legal mesmo?” Que história bacana de ser assistida, ainda mais sobre o ponto de vista da literatura sobre os jovens, e vice-versa, e do ponto de vista do preconceito que ainda assola o nosso mundo.
Lembrei dos Professores Rodrigo Ciríaco, do Maca, do Samuca, e de um monte de mestres que estão aí na periferia tentando educar a molecada que o estado não quer que seja educada.
As escolas são analfabetas e a culpa não é do professor, eu sou testemunha ocular desse crime.Para eu que só vou uma vez por semana nas escolas e não dou nota para nada do que eles fazem, é muito fácil trocar idéia e conseguir a simpatia gratuita da juventude, mas vai ver isso todo dia... Hoje tem marmanjo dando na cara de professora. Que deselegância.Quer saber? O Professor é tipo meu herói! Aí, você pode falar:"é, mais tem uns...", mas tem “uns” em qualquer lugar, em qualquer tipo de profissão. Aliás, transmitir conhecimento não devia ser profissão, devia ser encantamento, e esses feiticeiros poderia ter todo o ouro que precisassem, quando o diamante acabasse.Não abro mão, Professor devia ter capa e cinto de utilidade.
Eu acho que Professor voa, tem superpoderes e visão de raio-x. Eu quando estou em perigo chamo um Professor, não quero nem saber se ele é da rua ou se é da escola, consulto sempre um mestre.Bom, tirando meus efeitos especiais, e voltando ao cinema, o Filme é bem piegas, mas confesso que funcionou comigo.
Na calada da madruga, depois de um dia intenso de correria, uma emoçãozinha até que não foi mal.
Se você não tiver lição pra fazer em casa, na hora do recreio é bem melhor, assista e depois comenta comigo.

Toda aula devia começar assim: LUZ, CAMÊRA, AÇÃO. SONHANDO!

Estou de volta às ruas, dirigindo meu destino,

Sérgio Vaz
aprendiz de feiticeiro




Tuesday, May 06, 2008

TERÇA-FEIRA POÉTICA

Povo lindo, povo inteligente,

em meio a tanta loucura que se tornou a vida, por conta dos compromissos, a gente ainda tem que arrumar tempo para as oficinas de poesias nas escolas. Primeiro porque poesia é bom em qualquer dia da semana, e segundo porque traballhar poesia com a molecada é muito da hora. Hoje, a convite da prof. Eliete, fui no projeto "Agente Joven" no Jd. Scândia, em Taboão da Serra, uma região ,e onde morava minha mãe, quando estava viva. Uma parte da familia ainda mora lá.
Amigos, a professora já tinha feito um trabalho de poesia com eles, por isso fizemos um sarau, e boa parte dos poemas lidos eram de autoria dos alunos. Mal podia acreditar no tanto de poesia que eles escreveram.
E Poemas bem feitos, e bem lidos. Para falar a verdade, pensei que ia ser apenas mais um dia, mas não, foi o dia. Como sempre, no começo a timidez imperava, depois eles tomaram conta e mandaram ver à vera. Parabéns!
Ficamos de bolar um livreto com eles para o fim do ano, espero que dê certo.
Queria agradecer à professora e a eles por esta tarde bacana.
É tudo nosso!

Abs.

Sérgio Vaz





Sunday, May 04, 2008

IDEOLOGIA (SER/ESTAR)

COOPERIFA: É NÓIS !!!!!!


IDEOLOGIA (ser/estar)

Ou você é, ou você está.
Se está porque é, está certo ficar.
Mas se é,
só porque Star,
não é estar
que você vai ser.
Ser
é não estar.
Quem é,
está ligado.


Sérgio Vaz

E VOCÊ, PRATICA O SEU DISCURSO ?

Cooperifa - Exército de Quixotes


Milton Santos - Por uma outra globalização

"Estamos convencidos de que a mudança histórica em perspectiva
provirá de um movimento de baixo para cima,
tendo como atores principais os países subdesenvolvidose não os países ricos;
os deserdados e os pobres
e não os opulentos e outras classes obesas;
o indivíduo liberado partícipe das novas massas
e não o homem acorrentado;
o pensamento livre e não o discurso único.
Os pobres não se entregam e descobrem a cada dia
formas inéditas de trabalho e de luta;
a semente do entendimento já está plantada e o passo seguinte é o seu florescimentoem atitudes de inconformidade e, talvez, rebeldia.


"Do Pensamento Único à Consciência Universal"

Thursday, May 01, 2008

POESIA NO AR

Foto: Rodrigo Ciríaco
QUANDO TODOS QUEREM BALA PERDIDA, NÓS POESIA.
QUANDO TODOS NÓS POESIA, NENHUMA BALA SERÁ PERDIDA.

Sérgio Vaz


ATAQUE AÉREO - SÉRGIO VAZ

Foto: Eduardo Toledo
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Batalha de abril (Poesia no ar) – Sérgio Vaz

Não há palavras para descrever o que foi a noite de ontem no sarau da Cooperifa. Quem sabe talvez "Catarse" seja a palavra para defini-la. Na noite mais fria de São Paulo a periferia teve uma das noites mais lindas de sua vida. Uma das noites mais gentis e belas de nossas vidas. Uma noite em louvor à amizade, à palavra e à poesia. Uma noite para sempre, em nossas retinas.
Só para se ter uma idéia, nesta quarta-feira fria de véspera de feriado, onde boa parte dos paulistanos estava entrincheirados e mau-humorados na imensidão do trânsito em buscas de dias de paz, onde a torcida do Palmeiras, Corinthias e São Paulo estavam em casa ou no Morumbi assistindo os jogos, mais de quinhentas pessoas vindas da comunidade, de outras quebradas, outras cidades, de outros estados e até de outros países, compareceram ao Sarau da Cooperifa para participar do 2º Poesia no ar, que para sempre, devido as dificuldades, será lembrada como a batalha de abril.
Duas escolas, Zacarias e Antônio Agio, enviaram seus alunos para prestigiarem o evento. Os Professores dessas duas escolas acreditam que o sarau da Cooperifa é uma extensão da sala de aula, por conta disso, da proximidade do conhecimento, muito de nós estamos perdendo o medo das notas vermelhas e estamos voltando a estudar. A gente achando que estava seduzindo a escola, e a escola, dos nossos parceiros professores, nos seduzindo descaradamente. Sem os muros entre nós, que bela aula nos tivemos - muita gente já voltou a estudar por conta dessa irmandade. Escola + comunidade = Futuro.
Bom, mas voltando à noite mágica, o sarau transcorreu normalmente até às 22hs30, e vale lembrar que tinha mais ou menos uns cinqüenta poetas para declamar, e todos recitaram normalmente. Quer dizer, foram normalmente fantásticos!
Uma poesia mais bela do que a outra, se é que isso é possível, e uma noite de literatura pura, como há muito não se via, como há muito não se produzia. Mesmo por aqueles que ordenam, quem deve escrever e quem deve ler nesta metrópole cinza e analfabeta, comandada por uma elite de intelectuais arrogantes que nos odeiam por amar os livros e à criação poética. Que comam brioches!
A esta altura, quase quinhentos balões, portando poesia e mensagens do sarau da Cooperifa devem estar chegando nos quintais do povo paulistano, com um pouco do que aconteceu na noite de quarta-feira. Dê uma olhada no seu quintal, quem sabe...

Se você não esteve lá, perdeu, porque não vai passar em nenhum órgão da imprensa, que tem muito mais apreço à bala perdida, do que poesia. Ora, então por quê será que eles tanto pedem paz?
Em frente à praça uma pequena multidão portando balões com munição poética aguardava em posição de combate, a contagem regressiva, para o atacar a cidade enquanto ela dormia, quase que inocentemente, com uma chuva de poemas contendo um gás extremamente venenoso: a resistência.
Não banquem os tolos, estamos em guerra, e a nossa poesia iletrada, dura e com cheiro de pólvora, é apenas um artifício para confundir os tais sábios, e os que fingem que não sabem de nada.

A Poesia no ar é só aviso que o nosso pequeno exército marcha corajosamente sobre a terra, contra tudo e contra todos, mas sem esquecer o sorriso no rosto, e os punhos cerrados. Somos nós por nós!

Por uma periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor.

*Agradecimentos especiais: Família Cooperifa, Zé Batidão, Ali Sati (Eurotur Turismo) e aos amigos de sempre.

POESIA NO AR - SARAU DA COOPERIFA

Sarau lotado!

José neto

Dona Edite

Casulo

A Rapa

Ô lugar!!!!

Geral

Ana Paula

Michel e Raquel

Poesia no ar

Balão de poesia

2º POESIA NO AR - por Eduardo Toledo

A NOITE MAIS LINDA DO ANO!

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