Friday, October 31, 2008
1ª MOSTRA CULTURAL DA COOPERIFA
Thursday, October 30, 2008
SEXTA-FEIRA TEM PANELAFRO
QUINTA-FEIRA POÉTICA - OFICINA DE POESIA NA ZONA LESTE
Povo lindo, povo inteligente,.
ontem à tarde fui fazer uma oficina de poesia na escola do Professor/escritor/amigo Rodrigo Círiaco, lá na Vila Císper, zona leste de São Paulo. Pra quem não sabe o Círiaco é um daqueles professores missionários, e que ainda acredita numa boa educação para os alunos, por isso, os trata como se fossem afilhados. É um dos educadores a quem eu tenho o maior respeito.
O Bate-papo foi muito gostoso, eles me fizeram falar de muitas coisas, inclusive de minha infância, foi da hora.
Aí, em seguida fiz uns baratos na lousa pra gente bricarmos juntos de poesia. E Não é que fizemos um poema coletivo? Mó legal.
Uma pausa para o lanche, e de repente o Rodrigo surgiu com uma cesta, que mais parecia de piquenique, cheia de livros, e distribuiu entre eles, adivinha, fizemos um sarau mais do que da hora, foi "do dia".
Foi tipo uma tarde de aprendizado pra mim. Espero que eles tenham gostado.
O Amor e a dedicação que o Rodrigo tem pelos alunos e pela educação, mostram porque, apesar do esforço do estado, a escola ainda é um dos melhores lugares para passar a infância e a adolescência. Nota dez para eles! Zero para o estado!
.
"... porque ensinar é regar a semente sem afogar a flor." s.v.
.
É isso.
.
Sérgio Vaz
Vira-lata da literatura

QUINTA-FEIRA POÉTICA - SARAU RAP
Quinta-feira 19hs50
SARAU DA COOPERIFA, Ô LUGAR!!!!!!
Tuesday, October 28, 2008
QUINTA-FEIRA TEM SARAU RAP
O Projeto Poesia das Ruas é um sarau dirigido a rimadores e rimadorasdo Rap.
Sem música, MCs declamarão suas letras, compartilhando talento literário.
Fundador e coordenador do Sarau da Cooperifa, Vaz, pretende
SARAU DA COOPERIFA
Monday, October 27, 2008
UM CONTO SUJO SOBRE UMA PESSOAS LIMPA
MARIA FODIDA - SERGIO VAZMaria Dajuda
nunca
soube
o que era livros,
mas página por página,
daria uma coleção
de romances sujos.
De capa dura,
passou
a vida
a ferro frio
de mão
em mão
mas
ninguém
sequer
sabia
se aquecia
o seu
coração.
De peito mole
amamentou
os bastardos
perdidos
em sua cama
e desde sempre
chorou
este leite coalho
derramado.
Puta desalmada
desamou todas
as almas penadas
que assombraram
seu seu colchão.
...Como fodia
essa fodida
sem gosto
pela vida.
De manhã
de tarde
de frente
de lado
por trás
de
tudo
quanto
é jeito
e
com tudo
quanto
é
gente:
de menino
travestido de homem
de homem
metido
a menino.
Pegou
e
largou
tudo
quanto
é doença
que os vermes
transmitem
na nota suja
do dinheiro.
Por prazer
se dava
pela metade.
Por bebida
e riso falso
de dava por
inteiro.
Por amor?
nem fodendo.
Nunca fora
ventre,
serpente,
colo
de vespeiro.
Sem filhos
Maria fodida
era
uma
puta velha
filha da puta,
que
não admitia
que
era
uma
velha puta
que
o mundo
sem pai,
gozado
e
sem gozo
paria.
Não morreu
de gonorréia
porque
usava
camisinha,
mas como
não tinha
cobertor de orelha
morreu sozinha
atolada
numa poça
funda de lama.
Uma Faca
de um cafetão
café com leite
e sem açucar
cortou a sua voz
com
um risco
do pescoço
à orelha
e o sangue
molhou
suas palavras
esvaziou
suas veias.
Mas
para quem
tinha
sífilis na alma,
o que era
mais uma
buceta
na cara?
MAIS SOBRE LIVROS

1ª MOSTRA CULTURAL DA COOPERIFA

Sunday, October 26, 2008
AINDA SOBRE A CHUVA DE LIVROS
Friday, October 24, 2008
SARAU DA COOPERIFA FAZ CHOVER LIVROS NA PERIFERIA DE SÃO PAULO
Chuva de livros no sarau da Cooperifa - por Sérgio Vaz
O Sarau o sarau da Cooperifa completou sete primaveras de poesia espinhosa na periferia paulistana, e, para comemorar, fez chover livros nas mãos cheias de calos e floridas das pessoas e poetas da comunidade.
E como chovia torrencialmente muitas pessoas quase morreram afogadas pelas palavras que transbordavam pelos bueiros da quebrada. Eram tantas as palavras que despencavam da nuvem no bar do Zé batidão, que muita gente, quase que se afogava nas próprias lágrimas, de tanta emoção.
A Cooperifa fez chover mais de *quinhentos livros (poesia, prosa, romance, conto) para as mais de quinhentas pessoas que apareceram como um raio, de todos os lugares, para tomar um banho de literatura, que sem roupa, escorria asfalto abaixo pelos becos e vielas, molhando sem frescura, um povo desprovido de guarda-chuva.
E como o trovão era muito forte, todo povo do entorno desligou a tv e correu para o sarau, com medo do relâmpago que tem raiva de novela.
Choveu livro, mas a enchente, desculpe o molhado trocadilho, foi mesmo é de pessoas, que vinha das casas, da escola, da faculdade, da fábrica, do escritório, do céu, do inferno, era tudo quanto é tipo de gente, à procura de abrigo, ou fugindo de algum purgatório.
Dizem que as palavras não salvam, mas machucam, por isso no sarau o silêncio é uma prece, não tem falatório.
Para quem chove a arrogância das letras no asfalto vazio, eu explico: "a gente é simples, mas não é simplório."
Quando a gente diz que nóis vai, é porque nós vamos mesmo.
E se a oreia tá seca doutor, garoa no ódio não, limpa o zóio, que passa.
.
.
*545 livros distribuídos gratuitamente para as pessoas da comunidade.
Agradecimentos especiais: Cooperifa, Organização Poiésis, Edições Toró e Global Editora
Thursday, October 23, 2008
ANIVERSÁRIO DO SARAU DA COOPERIFA : FOTOS DA BAGUNÇA
ANIVERSÁRIO DO SARAU DA COOPERIFA - FOTOS DA BAGAÇA
ANIVERSÁRIO DA COOPERIFA - FOTOS DA CATARSE
Wednesday, October 22, 2008
Tuesday, October 21, 2008
LANÇAMENTO DO LIVRO ANTÍDOTO
CHUVA DE LIVROS NO SARAU DA COOPERIFA
POESIA NO ARSARAU DA COOPERIFA FAZ ANIVERSÁRIO
E QUEM GANHA PRESENTE É A COMUNIDADE
Amanhã a Cooperifa vai dar 450 livros de presentes
para os frequentadores e poetas do sarau,
mais DVDs, kits 1 da Sul e documentários + surpresas,
para comemorar o aniversário de sete anos de
atividades poéticas na periferia de
São Paulo.
VAI TER UMA CHUVA DE LIVROS NO SARAU DA COOPERIFA!!!!
Apoio: Cooperifa, Organização Poiesis, Edições Toró e Global Editora
MÁRCIO BATISTA LANÇA LIVRO NA AÇÃO EDUCATIVA
hoje (terça-feira) é o lançamento do livro "Meninos do Brasil" do Márcio Batista na Ação Educativa.
Vai rolar um Baião de dois e cerveja `a vontade para os convidados.
Vai rolar também um som com Cocão, Periafricania, e Wagnão do Preto Soul
A gente se vê por lá.
Ação Educativa
Rua General jardim, 660 Santa cecília
Centro São paulo
LINGUAGEM COLOQUIAL

Monday, October 20, 2008
QUEM É O KASSAB? QUEM É A MARTA?

Acompanhando as eleições em São Paulo, da marta contra o Kassab, ou vice-versa, descobri que há uma polêmica sobre a propaganda da Marta perguntando sobre avida do Kassab, tipo se ele é casado ou se tem filhos, e está gerando uma puta polêmica, e que eu gostaria de saber o porque de tanta indignação.
Sunday, October 19, 2008
Segunda-feira tem o lançamento do livro ANTÍDOTO - Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito
nesta segunda-feira tem o lançamento do livro "ANTÍDOTO- Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito", no Itau Cultural.
O Livro traz vários depoimentos dos participantes das duas primeiras edições do evento, inclusive um texto meu. É isso.
Vou estar lá, quem quiser colar...
Abs.
Sérgio Vaz
LANÇAMENTO DO LIVRO ANTÍDOTO
Coquetel de lançamento
Dia 20 de outubro às 20h30
Itau Cultural
Av. Paulista, 149
Centro-São Paulo
ENTRADA FRANCA
Infs. 21681775
BATE-PAPO NA ONG PAPEL JORNAL - LINGUAGEM CULTUA X COLOQUIAL
Povo lindo, povo inteligente,
segunda-feira vou participar de um bate-papo com os alunos da ONG Papel jornal, cujo o tema é "Linguagem culta x Coloquial", o bagulho promete.
A ONG Papel jornal é um curso de jornalismo na periferia de São Paulo, e uma das coordenadoras é a minha amiga Roseli Lotturco, e fica ali perto do Jardim Ângela, quem quiser colar...
A Cooperifa tem a linguagem coloquial mais culta que eu conheço. É isso.
A Poesia não pára.
Sérgio Vaz
LINGUAGEM CULTA X LINGUAGEM COLOQUIAL - Bate-papo
Dia 20 (segunda) e 23 (quinta) de outubro às 14hs
ONG Papel Jornal
Rua Roberto Selni Dei, 187 Vila Santa Margarida
Periferia-SP
Infs. 35371216
ANIVERSÁRIO DO SARAU DA COOPERIFA
Saturday, October 18, 2008
SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO DA UNIARARAS
Povo lindo, povo inteligente,nesta manhã fria e de chuva em São Paulo participei do Seminário de Educaçao da Uniararas (Universidade de Araras) no CEU Guarapiranga, aqui na estrada da Baronesa, quebrada do Jangadeiro, extremo sul da cidade.
Você pode estar se perguntando: "o que tem a ver o CEU Guarapiranga com a Universidade de Araras?"
É que é um curso de Pedagogia à distância.
A Universidade cede os professores e cria-se turma em salas de aulas, numa igreja, por exemplo. E por uma mensalidade bem menor, é claro.
Mais uma vez o estado está ausente na educação dos brasileiros e brasileiras, o certo seria ter uma faculdade naquela região, que por sinal, fica bem longe da faculdade mais próxima, se não me engano, a Unisa, em Santo Amaro.
Bom, é isso, não vou esticar muito o chiclete se não eu entro numa nóia da porra. Não gosto de ficar dando motivo para a minha insônia se aproveitar de mim.
Outra coisa bacana, os futuros educadores e educadoras foram de um calor humano da hora, a cada poesia eles respondiam com uma recepção calorosa. Antes tivemos uma apresentação de capoeira de Angola do grupo Zungu.
Fazia tempo que não ia num debate tão fervoroso, foi uma manhã de raro aprendizado.
Queria agradecer a Deyse, Midori, Márcia, Luiz, Cabeleira que compuseram a mesa e me convidaram para o encontro. É isso.
nem a chuva cala a poesia.
abs.
Sérgio Vaz
vira-lata da literatura

Friday, October 17, 2008
ANIVERSÁRIO DE 7 ANOS DO SARAU DA COOPERIFA
Povo lindo, povo inteligente,Na próxima quarta-feira, 22 de outubro, o Sarau da Cooperifa vai completar 7 anos de poesia na periferia de São Paulo, e você é nosso convidado para curtir um sarau com bolo, e várias surpresas que estão sendo preparadas para presentear a comunidade. Agende-se!
Depois falo mais.
Abs.
Sérgio Vaz
Thursday, October 16, 2008
Sarau da Cooperifa - Foto Jairo
O Jairo tirou uma foto do sarau da Cooperifa, que resume mais ou menos, em imagem, o que aconteceu ontem:SARAU DA COOPERIFA:MARACANÃ DA POESIA
Ontem enquanto milhões de pessoas no Brasil estavam ligadas em frente à televisão assistindo novelas, a um joguinho mixuruca de futebol entre Brasil e Colômbia, umas quinhentas pessoas, mais ou menos, foram sequestradas pela poesia, na periferia da Zona Sul de São Paulo. Quem anda cometendo esses crimes? O Sarau da Cooperifa.
Há sete anos, exatamente no mês de outubro, aproveitando-se da desatenção do estado e da falta de cinemas, bibliotecas, museus, teatros, livrarias, e qualquer espaço para a produção cultural, um bando de malfeitores trajados de roupas simples e empunhando poesias nas mãos, invadiram uma fábrica abandonada em Taboão da Serra, e começaram a produzir um tipo de entorpecente que iria afetar o cérebro e a alma das crianças, jovens e adultos: a literatura.
No começo as autoridades acadêmicas não deram muita bola para o assunto, acharam que seria apenas mais uma dessas primaveras, em que as flores abrem caminhos para o verão. Mas que nada! As flores não pararam de desabrochar, e a estação das flores e dos espinhos, não tem hora para acabar.
E quando o apito da fábrica apitou o final do expediente, nós que éramos operários da palavra com medo do desemprego gramatical, erramos o caminho para Passárgada, e caímos direto no único espaço público ao qual as pessoas da ponte pra cá têm direito: o bar.
E antes que a gente se embriagasse de tédio, começamos a recitar poesia, e o poema, que transitava de boca em boca, chegou aos ouvidos de outros poetas mudos abandonados nos becos e vielas da fidalguia do vernáculo.
E como se fosse um chamado do rei Zumbi, um enxame insolente de guerreiros e guerreiras vinha de todos os lugares para se juntarem ao quilombo da palavra falada, que acabava de se formar.
E vinham de outras tribos, pintados para guerra ou não, e trazia em seus cantos a canção que celebra a luta, que respeita os ancestrais e honra a vida. Um canto de louvor à liberdade, e de um povo que já não respeita mais os seus carrascos.
E quando o bar já se tornara o quartel general da evolução, guardados por poetas, donas-de-casa, torneiros mecânicos, professores, desempregados, taxistas, auxiliares de escritórios, advogados, rappers, advogados, motoristas, aposentados, estudantes, estudados e iletrados, os livros, armamento pesado, foram distribuídos de mão em mão, a qualquer um que quisesse manuseá-los. Independentes se tinham porte para portá-los, ou não. A única recomendação era que todos apontassem para a mesma direção: o futuro.
E ontem de posse do nosso futuro, aconteceu mais um disparo no sarau , o livro "Meninos do Brasil" de Márcio Batista, professor e poeta da Cooperifa.
Acho que foi o quadragésimo livro lançado ali, no Bar do Zé Bateado, no extremo sul de São Paulo, perto do Jardim Ângela, perto do cemitério do Jardim São Luiz, onde estão enterrados a maioria dos jovens que foram assassinados nesta metrópole da riqueza e da dor.
Mas a primavera não pára por aí, ontem também, neste mesmo horário, no jardim Monte Azul, estava acontecendo uma exposição de artes "Natural da periferia" de Jair Guilherme, outro artista resistente da quebrada.
Pois é, numa mesma noite, longe dos grandes centros e longe das grandes e pequenas verbas da prefeitura, do estado ou da federação, quase quinhentas pessoas se reuniram - como se reunem-se há sete anos, toda quarta-feira, ininterruptamente -, para ouvir e falar poesia, e de quebra, comprar um livro de um autor nascido e criado na Cooperifa.
E para provar que a gente não odeia ler, Márcio Batista vendeu 12o livros, ali, no chão duro do bar, no templo da poesia, um lugar onde boa parte das pessoas morria de cirrose, sem o tira-gosto da poesia.
Se por acaso você não foi, pergunte para quem esteve lá, a única lágrima que escorreu de alguém, foi do rosto do poeta, e não foi de tristeza, foi de emoção pelo nascimento de mais um livro na nossa maternidade.
Nem tudo são flores em nossa primavera, mas para nós, que sempre fomos espinhos no verão alheio, um pouco de poesia no outono, faz com que a gente suporte a vida dura no inverno.
Tuesday, October 14, 2008
O GIGOLÔ DAS PALAVRAS - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão !"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.
Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa ! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção.
A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.
HOMENAGEM AOS PROFESSORES
O Confeccionador de asas - Sérgio Vaz
“ Adubar a terra
com número e letras
asas e poemas.
Para colher lírios,cravos e alfazemas.
Agricultor,
o bom mestre sabe,
que espinhos e pétalas
fazem parte da primavera.
Porque ensinaré regar a semente semafogar a flor “. (SV).
A Vida é algo mesmo muito engraçado, agora pouco, antes de começar a escrever este artigo em homenagem aos educadores e educadoras que conheço, me lembrei de uma coisa da minha adolescência, e que eu nunca entendi bem direito, é que eu não gostava de estudar, mas adorava a escola. Pena não ter sido o contrário, mas...
A escola para mim sempre foi um lar, minha classe, como se fosse o quarto, que sempre sonhei, mas que eu nunca tive. E o melhor de tudo, com todos os meus amigos morando junto comigo.
Não lembro de ter sido bom em alguma matéria, dá para contar nos dedos as notas dez que eu tirei, também não fui o pior de todos, meu boletim era tipo colorido, vermelho e azul, e de acordo com cada série, umas cores se destacavam mais do que as outras.
E por gostar tanto da escola e não gostar de estudar, repeti de ano duas vezes, na 3ª série do primário e na 7ª série do ginásio, parece pouco, mas para quem só fez o colegial, é como se o futuro andasse em direção ao passado. É como se a gente colasse da pessoa errada.
Minha matéria preferida sempre foi o recreio, e a bagunça era uma prova para o qual não precisava estudar, e se eu ficar em silêncio enquanto escrevo este texto, sou bem capaz de ouvir a molecada descendo as escadas depois do sinal, como uma manada enfurecida -entorpecida pela magia da infância-, correndo pra casa. Ou quem sabe, fugindo do lar.
Num tempo em que a merenda para alguns era a única refeição, na periferia, “lar” e “casa” eram duas coisas extremamente diferentes, e se nós, os filhos da dor, desenhávamos nosso momento com giz colorido, em casa, muitas famílias escreviam a alegria a lápis, para que ficasse mais fácil para a tristeza apagar.
Outra coisa que gostava muito na escola era dos professores, só naquele tempo eu não sabia, descobri somente anos depois, quando não estudava mais.
Lógico que naquela época da ditadura, alguns mais pareciam torturadores do DOPS que professores, e tudo isso, com o consentimento dos pais, os cúmplices.Uma vez uma professora, que mais parecia uma madrasta de contos de fada, puxou o meu cabelo com tanta força, que até hoje me dói o couro cabeludo.
Sabem por que? Porque estava desenhando um relógio à caneta no pulso enquanto ela explicava alguma coisa, quando percebeu a minha desatenção, me perguntou as horas, e eu respondi. Na hora errada.Traumatizado, nunca mais usei relógio em minha vida.
Hoje em dia, recitando poesia nas escolas públicas do país, descobri que estes que puxavam o cabelo das crianças, não existem mais, foram engolidos pelo dragão do tempo, e foram substituídos por uma trupe de guerreiros e guerreiras que mesmo abandonados pelo estado, insistem em educar os nossos filhos. Não é da hora?
Autodidata, aprendi a sofrer por conta própria, e aprendi também que é possível construir o universo longe da universidade, só que demora mais, quando não se têm asas para voar.
O Professor é aquele que confecciona asas. E voa junto.
Monday, October 13, 2008
COOPERIFA E AÇÃO EDUCATIVA APRESENTAM:
Saturday, October 11, 2008
DIAS DAS CRIANÇAS

Em outubro é o mês em que se comemora o dia das crianças, depois do natal, esse é o dia mais aguardado para qualquer menino ou menina, pois, teoricamente é um dia para receber presentes.
Pra ser sincero não tenho boas lembranças dessas datas, na minha casa a roupa sempre foi muito mais importante do que brinquedo, por isso, desde cedo aprendi a brincar só com os meus botões. Sem carrinho pra dirigir, cheguei de kichute na adolescência, e com os pés cheios de calos no coração.
Naquela época não era fácil entender que existia um dia só para as crianças, mas ao mesmo tempo, só para algumas crianças. “Quem será que ensinou aos adultos a serem tão cruéis?”. Pois somente um adulto é capaz de ensinar uma criança a ter raiva e inveja ao mesmo tempo.
Raiva porque as ruas nesses dias eram tomadas de cores e luzes da felicidade alheia, e inveja por que essas cores e luzes não brilhavam no meu quintal. De quebra também aprendi a odiar o Playcenter e o Papai Noel. Bom velhinho, sei...
No caso das meninas fico pensando que também não devia ser diferente, não deve ser fácil acalentar a boneca da vizinha e chamá-la de minha filha ao mesmo tempo. Brincar de babá aos seis anos deve doer tanto quanto ser motorista aos sete. Sorrir com a alegria emprestada... é muito sério ser criança.
Descobri que somos o país do futebol porque uma única bola, não importa de quem seja, é capaz de fazer a alegria de um bairro inteiro, e nessa hora não importa quem ganhou presente ou não. Para quem não sabe o futebol também é um esconderijo de crianças tristes e solitárias. Descalços ou não,uns chutam a bola, outros a vida.
Não estou fazendo propaganda de supermercado e nem sei se as pessoas se tornam melhores porque na infância ganharam brinquedos ou não, só quis lembrar um tempo em que o algodão não era tão doce.
Se vão presentear seus filhos, para que não se tornem poetas tristes como eu, não esqueçam, as crianças gostam que os pais venham como acessórios. Ou quem sabe, o contrário.
Nesses tempos onde as mães jogam os filhos pelas janelas dos apartamentos, haverá um tempo que a gente não lembrará mais a falta dos brinquedos, e sim das crianças.
-x-
*Parabéns à Ponte Preta (Jd. Leme) pela festa do dias crianças.
Medo do escuro - Sérgio Vaz (poema inédito)
Medo do escuro - Sérgio VazAs nuvens cinzas e pesadas
assombram tua plantação
tuas sementes assustadas
com o barulho do trovão
choram caladas
com os pés atolados no chão.
Eu estendo a mão ,
mas você não floresce
você não vêm.
No matagal o capitão-do-mato
se espalha feito joio no trigo
o pão
tem o gosto horrível da escravidão
e o chicote estrala
na tua boca vazia
que se cala.
E eu te empresto as costas,
minha pele exposta...
mas você não vem,
não dá resposta.
Uma canção doce e alegre
que fala da tua tristeza
entra pelos teus ouvidos
e você ri, e dança
em torno de si mesma
afundada em lágrimas pelo salão.
Num sussurro desafinado
imploro ao teus pés,
mas você não cansa,
é mansa
e também não vem.
A ventania
destelha teu coração.
Sem sentimento,
você ama sem amar
e de mãos dadas
caminha saltitante com a solidão,
nas ruas esburacadas
à procura de um lar.
Eu abro as portas,
mas você não vem,
é torta
não quer entrar.
A Vida dói
como uma faca enferrujada na garganta
e você,
Alice no país das maravilhas,
covarde como um leão
foge das hienas
para dentro da densa selva.
Abatida
eu lambo
tuas feridas,
mas você não vem
não cicatriza.
Uma manhã mal dormida
acorda no meio da noite
e percebe que está sem estrela.
Na ausência de sol
um vaga-lume
risca um poema
sob a névoa trêmula
que vai além.
Você não lê,
não vem,
mas está escrito:
" eu tenho medo também."
Thursday, October 09, 2008
ANIVERSÁRIO DE 7 ANOS DO SARAU DA COOPERIFA

A NOITE QUE JAMES BROWN SALVOU BOSTON

este últimos dias têm sido extremamante atípicos, se por um lado as coisas boas não param de acontecer, a vida não cansa de mandar conflitos para testar a nossa resistência pessoal.
Aí, quando eu acho que é preciso dar um tempo com as brigas e os confrontos, tanto internos quanto externos, que habitam meu coração, assisto um documentário "A Noite que James brown salvou a cidade de Boston", que me coloca novamente no eixo, e mais disposto ainda para seguir adiante na luta do dia-a-dia.
O documentário fala dos conflitos que se alastraram pelos bairros negros dos Estados Unidos, logo após o assassinato do reverendo Marthim Luther King, em 4 de abril de 1968. Que ano!
No dia do funeral do reverendo estava marcado um Show com James Brown, e como as ruas apinhadas de gente, temia-se pelo pior, se ouvesse o show.
O Prefeito da cidade, Kevin White, foi convecido, de que se não houvesse o show, aí, seria muito pior. Enfim...
Teatro cheio, a televisão resolveu passar ao vivo, para ver se a comunidade acalmasse a ira, em suas próprias casas.
Imagine vocês, passar um show ao vivo, de um cantor negro, numa cidade racista como a de Boston, só mesmo numa situação dessas.
Não vou falar mais para não estragar o final.
O Documentário é extremamente revigorante.
Um bálsamo nessa época de falsos líderes, e de tantos vilões papa-verbas que se alastram pelas periferias de São Paulo. É. Muito discurso e pouca prática.
Lindo. Lindo. De chorar de emoção, de tão belo, apesar de triste, este momento que faz parte da história da humanidade.
Assistindo ao filme, me senti o maior bunda-mole de todos os tempos, e comecei a entender porque algumas pessoas como Martin Luther King e James Brown, não estão na história por acaso.
Manos e minas, por favor assistam, é muito louco este documentário.
Ví na HBO, quem sabe reprisa, mas se alguém achar onde comprar, me avisa.
I Feel good (eu me sinto bem),
Sérgio Vaz
SARAU DA COOPERIFA ESPANTA O FRIO DE SÃO PAULO
SOU DA PERIFERIA, E DAÍ ? - SÉRGIO VAZ
Nestes dias em que a primavera é devorada pelo inverno tardio, e que as flores, de tão tímidas e solitárias, se escondem no abrigo úmido das folhas, e que a dor que tem cor é tão comum entre meninos e meninas que dormem sujos nas calçadas frias da cidade, ou nos barracos tristes de madeiras fincados no solo sagrado desgraçado pela semente do capital, e que todos os poucos que mandam nos muitos que somos, e que nos odeiam apenas pelo atrevimento de gostar de literatura, eu respondo com uma pergunta: "sou da periferia, e daí?"
E daí, se nesta noite fria de quarta-feira, mais de trezentas pessoas surgiram de todos os lugares, dos becos e das vielas, de ônibus, de trem, ou só pra fugir da novela, para ouvir e falar poesia, no Sarau da Cooperifa?
E daí, se eram mais de cinquenta poetas, pretos, brancos, homens, mulheres, crianças, adultos, empregados-desempregados, taxistas, donas-de-casa, feministas, dentista, artistas, professores, gente de todas as dores, e todos eles sem papas na língua, mais a língua em riste, apontado para o coração frio da academia paulistana?
É. E daí?
E daí, se apesar de tudo que estava escrito pra gente não dar certo, deu errado? Não é de hoje que a gente está escrevendo que quer escrever, se você não leu, então quem é o analfabeto?
Se não é problema seu, também não é nosso, ou larga um pedaço do bife, ou a gente te fere com o pedaço do osso. E daí se a gente já não sente remorso?
E daí, se a gente gosta do ronco da cuíca, do sono leve do cavaquinho, se a gente não sabe tocar violino, e se o Beto não ouve quem é Bethovem, que me importa a data certa da safra do vinho?
Se a gente pisa nas uvas, vocês que pisam nos ovos.
E daí, se o meu chulo linguajar vai ultrajar seu belo português (o tal manjar dos eleitos da raça pura e o calcanhar dos defeitos do povo duro), servido em talheres de prata para as bocas de ouro dos que cospem arrogância, e que cagam bravatas? Queria ver vocês falarem inglês com sotaque francês estudando na quebrada, nessa escola pública que vocês dão, que mais parece privada. *C´est la vie mon ami.
Pois é, filosofar na luz é mais fácil que no quarto de despejo. A Carolina do Chico não viu, mas a de Jesus, sabe do que estou falando.
O Preconceito me cansa, mas não me vence.
É nóis!
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*é a vida meu amigo
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Veja as fotos do sarau da Cooperifa avaixo:
SARAU DA COOPERIFA ESPANTA O FRIO DE SÃO PAULO
Monday, October 06, 2008
DEBATE - LITERATURA `A MARGEM

&
DEBATE “Literatura à margem” (conversa sobre processo de edição independente)
com Binho, Serginho Poeta, Beso, Sérgio Puccini, Érica Casado e Cristina Astolfi
EDIÇÕES TORÓ E COOPERIFA APRESENTAM: LANÇAMENTO DO LIVRO "UM SEGREDO NO CÉU DA BOCA" - PRA NOSSA MOLECADA
No livro moram, dançando, 23 canetas da casa, juntadas no balaio de desenhar textos pra nossa mulecada.
É um livro feito a várias mãos. Um conseguiu a manteiga, outro untou a forma, mais uma cuidava do forno enquanto um batia a massa. E um ia lavando a louça enquanto outra ia bolando a cobertura. Agora taí o bolo de mulecagem.
Te convidamos pra partilhar esse segredo, (segredo já alastrado? que é essa pegada de palavrear na beira) e celebrar a esperança na versação do sarau com nóis.
Com tiragem pequena e distribuída pelos autores, é capaz de se esgotar a cota muito rápido, então se puder cola mesmo no lançamento pra catar o teu.
Lançamento de “Um segredo no céu da boca – pra nossa mulecada”
No sarau o livro custará R$15,00
08/10/08 – às 21 horas-
Rua Bartolomeu dos Santos, 797 . Jd.Guarujá
Tel: 5891-7403
EXPOSIÇÃO NATURAL DA PERIFERIA - JAIR GUILHERME
a periferia está cada vez mais metida à besta, agora tem até exposição de quadros: "pintura em desenhos e desenhos em pintura, de Jair Guilherme."
As Ruas da quebrada, apesar de tudo e de todos, estão cada vez mais coloridas. Ainda não estão aquarelas, mas também não é mais o rascunho do inferno.
Tamo junto.
Abs.
Sérgio Vaz
ANTÍDOTO
Povo lindo, povo inteligente,sábado rolou o debate no Itau Cultural "Antídoto" sobre arte e produção cultural na periferia.
Foi muito bom a discussão, mas algumas perguntas dos presentes são quase sempre as mesmas, periferia, e não sobre a nossa literatura, como eu gosto de falar.
Sei lá, por defender tanto a gente acaba ficando rotulado, ou quem sabe, é a gente mesmo que se rotula e não percebe. Estou refletindo sobre isso neste exato momento.
No mais, rolou a pampa, Eu, Buzo, Natale e a Gizza demos conta do recado.
Até. Mil fitas.
Sem tempo pra nada.
Sérgio Vaz
Thursday, October 02, 2008
ANTÍDOTO NO ITAU CULTURAL - AGENDE-SE!
Local: Itau cultural
Av. Paulista, 149 São Paulo
Infs. 21681777
ENTRADA FRANCA
(retirar ingressos com antecedência)












































































































































































































































